Posts tagged ‘Lula’

28/03/2012

Lula vence o câncer e agradece ao Brasil

20/01/2012

Lançamento de “A Privataria Tucana” em Curitiba repercute nos blogs e redes sociais

O lançamento do livro “A Privataria Tucana”  que ocorreu ontem em Curitiba, contando com a presença de mais de 300 pessoas, também mostrou a força das redes sociais e blogs. Assim como o livro, o evento foi divulgado somente na Internet, rompendo mais uma vez a blindagem que a velha mídia faz ao assunto.

Vários Tuiteiros acompanharam o debate que foi transmitido ao vivo. Foram várias interações de internautas de todo o Brasil, comentando e sugerindo perguntas ao jornalista Amaury Ribeiro Jr.:

20/01/2012

Direção de TV estatal paranaense demite funcionários

A direção da TV Educativa do Paraná, que hoje praticamente só retransmite a programação da TV Cultura de São Paulo, mas insiste em chamá-la de É Paraná, está fazendo uma limpa nos quadros funcionais.

Sob a desculpa de se livrar dos incômodos gerados pelo caso Derosso, a ex-TV do povo paranaense, demitiu também outros 30 profissionais.

Da CBN-Curitiba:

Emissora de TV do governo, É Paraná, demite a jornalista Cláudia Queiroz

Filipi Oliveira

A TV do governo, É Paraná, a antiga TV Educativa, vai demitir a jornalista Cláudia Queiroz Guedes, mulher do presidente licenciado da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB). Além dela, pelo menos outras 30 pessoas também foram mandadas embora no corte feito pela emissora.

Clique aqui para ouvir o áudo desta reportagem

20/01/2012

Amaury Ribeiro Jr. desmente Álvaro Dias em entrevista à CBN-Curitiba

da CBN:

Autor de “A Privataria Tucana” diz que Banestado era o maior esquema de lavagem de dinheiro

Leonardo Bessa
O autor do livro “A Privataria Tucana”, que denuncia fraudes nas privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, afirma que nunca se desviou tanto dinheiro quanto na época do extinto Banco do Estado do Paraná, o Banestado.

Clique aqui para ouvir a íntegra da entrevista concedida por Amaury Ribeiro Jr à rádio CBN-Curitiba

20/01/2012

Novidades de Amaury: CD, cartilha em quadrinhos e “Privataria II”

“O pessoal do MST me pediu licença para editar uma versão do livro para as crianças e adolescentes, em forma de história em quadrinhos. É claro que eu dei a licença. E tem mais novidade. Vai sair o CD do Privataria com músicas que fiz a alguns anos e que precisam de uns ajustes”, revelou Amaury durante o debate realizado na noite de 19/01 em Curitiba.

Alguém lembrou que a privataria tucana não acabou mas continua avançando no Paraná e em outros estados através da “terceirização” da saúde e da cultura, decidida com apoio de deputados aliados do governador Beto Richa sem ouvir em nenhum momento a população. Propõe-se entregar um relatório completo do processo dessa votação, acompanhado dos nomes dos deputados e das empresas que apoiaram suas campanhas eleitorais (obtidas no TRE),  para o Amaury incluí-lo no “Privataria II”, em elaboração.

Amaury afirmou que só escreve com fatos e documentos que provem as denúncias, cabendo às entidades fazer os documentos chegarem até ele.

Os presentes quiseram saber se Amaury acha que a CPI da Privataria sai ou não sai.

“Depende da pressão popular. O livro sozinho já tem dados e informações documentais mais que suficientes”, responde Amaury que, humoradamente, completa: “Meu filho é ‘filho’ do Banestado. Foi feito em Nova Iorque por causa do Banestado. É a minha CPI e vou voltar a ela no Privataria II”.

Ao final do debate  formou-se uma fila para os autógrafos, incrivelmente organizada.

“Êita povo prá gostar de fila, sô”, brincou Amaury, pegando a caneta para autografar dezenas de exemplares.

Vendendo dez exemplares de uma vez para um dirigente da associação dos ex-funcionários do privatizado Banestado, William diz que “Curitiba lançou a ideia e o bloqueio da mídia e das redes de livrarias está sendo vencido pelos convites para as dezenas de atos iguais a este que acabamos de assistir.”

20/01/2012

Lançamento de “A Privataria Tucana” em Curitiba reúne mais de 300 pessoas

O lançamento do livro “Privataria Tucana”, com a presença do autor, jornalista Amaury Ribeiro Jr. foi um sucesso: reuniu mais de 300 pessoas na noite de 19/01/2012 no auditório do SISMUC – Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Municipais de Curitiba.

O evento foi organizado por ParanáBlogs, Sismuc, Geração Editorial, Sindicato dos Bancários, SENGE-PR, SindiSaúde, CUT-PR e TIE-Brasil.

Já no inicio da “noite de autógrafos”, William Novais, da Geração Editorial, comemorava a venda de mais de 120 exemplares até aquele momento. “Em São Paulo foram 200, mas no final. Curitiba é bem menor e está dando show, já de saída” – afirmou William.

Muita gente já trazia o livro de casa, comprado nas livrarias que deixaram a solidariedade tucana para lá e lucram com o novo “best seller”.

No salão do evento os presentes se revezavam e se espremiam para ouvir as respostas bem humoradas de Amaury às perguntas feitas. Uma delas partiu de um médico brasileiro residente em Houston, Texas, que pode participar graças a transmissão ao vivo pela Internet.

O paranaense Amaury surpreendeu os participantes com o tom informal e até irreverente com que se dirigiu à atenta platéia.

20/01/2012

Fotos do Lançamento do Livro “A privataria tucana” em Curitiba

O lançamento do livro “A privataria tucana” reuniu mais de 300 pessoas no auditório e dependências do Sismuc na noite de quinta, 19/01. Com o auditório lotado, muitas pessoas acompanharam a apresentação do livro seguida de debate nos computadores do Sismuc espalhados pelas diversas salas da entidade.

Antes do lançamento, porém, Amaury Ribeiro Jr participou de uma entrevista coletiva com a presença de vários meios de comunicação, tanto das velhas como das novíssimas mídias.

Veja as fotos do evento:

Participantes formam filas para chegar ao local do evento:

Antes das 19:00h o salão do Sismuc já estava lotado:

Amaury Ribeiro Jr. concede entrevista coletiva aos meios de comunicação do Paraná:

Após o debate participantes formaram filas para ter seu livros autagrafados por Amaury Ribeiro Jr.

05/01/2012

Mas quem é Lukashenko? Onde fica a Belarus?

Por Sérgio Bertoni, TIE-Brasil

A Belarus ou Rússia Branca é um estado europeu localizado a oeste da Rússia e a leste da Polônia, tendo fronteira setentrional com a Lituânia e Letônia e meridional com a Ucrânia. Se considerarmos a Rússia como parte da Europa, então a Belarus é uma estado cravado bem no centro da Europa.

É chamada de Rússia Branca, pois teria sido a única parte do Império Russo não ocupada pelos tártaro-mongóis que dominaram a Rússia por mais de 4 séculos.

Aleksander Lukashenko, o “presidente” da Belarus, é um ditador desvariado apoiado por Moscou. A Belarus é usada como campo de provas onde são testadas as medidas autoritárias soviético-capitalistas do czar Putin e sua camarilha. Muitos esquerdistas ocidentais se deixam levar pelo discurso pseudo-socialista e pseudo anti-norteamericano de Lukashenko. Não passa de retórica barata para iludir o incautos e as viúvas de Stálin que adoram levar porrada do regime e da polícia secreta que, na Belarus, ainda se chama KGB. Na prática Lukashenko está mais para um Hitler sem exército que para Stálin. Seu discurso é nacional-socialista. Lembremos que o partido de Hitler era Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou Nationalsozialistische Deutsche ArbeiterparteiNSDAP, em alemão, cuja redução fonética gera o termo Nazi ou Nazista. Hilter se dizia contrário ao capitalismo e ao socialismo…

Em 1995, este humilde blogueiro e ex-metalúrgico teve a honra de ser citado por Lukashenko em cadeia Nacional de rádio e  TV, durante a transmissão ao vivo de uma assembleia com mais de 3000 pessoas, convocada especialmente para denunciar o Brasil e a Suécia de conspirarem contra a “soberania” da Belarus.

A coisa foi hilária, própria do surrealismo soviético. No dia anterior à referida assembleia, havia eu participado da reunião plenária da direção da Federação dos Sindicatos da Belarus (FPB em russo). Um agente da KGB estava presente na reunião. E aí começa a diversão.

02/01/2012

Salário mínimo ainda é muito mínimo, mas evoluiu muito nos últimos anos

28/12/2011

Questões Trabalhistas se resolvem na mesa de negociação, não com repressão!

A aliança demo-tucana-socialista (sic) que manda e desmanda no Paraná e Curitiba mais uma vez mostra toda a sua modernidade medieval e confirma que modernos são só os meios de fazer propaganda enganosa e ludibriar a população que ingenuamente nela acredita.

17/12/2011

Por que governo e cúpula do PT não apoiam a CPI da privataria?

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

Nos últimos dias, o deputado Candido Vaccareza, líder do governo na Câmara dos Deputados, o presidente daquela Casa, deputado Marco Maia, e a própria presidente Dilma Rousseff deram declarações contrárias à instalação da CPI da Privataria, proposta pelo deputado comunista Protógenes Queiroz, que já contabiliza mais assinaturas do que as 171 necessárias.

Que a grande mídia e o PSDB agora minimizem as denúncias contidas no livro A Privataria Tucana depois de tentarem (sem sucesso) escondê-las, é compreensível. Ambos estão envolvidos nas denúncias – os tucanos por terem conduzido o processo e a mídia por ter feito grandes negócios com o que foi privatizado. O que não se entende são as posturas da cúpula do PT e da presidente Dilma.

Mesmo que cerca de 30% dos deputados do PT, até agora, tenham aposto suas firmas no requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito, é inadmissível que as mais altas instâncias do partido que mais denunciou as privatizações da era Fernando Henrique Cardoso agora ajam dessa forma, com esse discurso dúbio que sugere medo ou até culpa no cartório.

Se essas autoridades não querem se envolver politicamente, apesar de ocuparem cargos políticos, que dissessem que esse é um assunto que o conjunto do Poder Legislativo terá que decidir. Seria uma forma menos afrontosa de se omitirem do dever que têm de investigar denúncias tão graves de tamanha quantidade de dinheiro público que dizem ter sido afanado por membros do governo federal no fim da década retrasada.

É bem provável que metade dos deputados federais brasileiros assine o requerimento dessa CPI, mas mesmo se ela não tivesse uma só assinatura a mais do que o mínimo necessário deveria ser aberta porque não se imagina que quase duas centenas de deputados estejam vendo coisas ao acharem que há o que investigar.

Uma das frases de autoridades filiadas ao Partido dos Trabalhadores que mais causou espécie ao ir de encontro à instalação da CPI da Privataria foi proferida na televisão pelo deputado Candido Vaccareza. Ele disse que não apoia a instalação da investigação porque não há que ficar “olhando no retrovisor como a oposição”.

Em primeiro lugar, a oposição não olha no retrovisor. Essa alusão ao equipamento obrigatório em veículos automotores surgiu no Brasil já na campanha eleitoral de 2002, quando tucanos diziam que o povo não deveria escolher o próximo presidente da República olhando no retrovisor. Depois, a tese se repetiu nas eleições presidenciais de 2006 e de 2010.

O uso da figura de linguagem tucana pelo deputado petista também é injusta com o PSDB. O que esse partido mais tem feito foi se esquivar do passado. As denúncias que faz são para investigar o presente enquanto prega o esquecimento de possíveis crimes do passado. Acusar a oposição de olhar pelo retrovisor, portanto, não faz sentido.

Alguns aludem a uma suposta “estratégia” da presidente Dilma e da cúpula do PT ou à tese de que não lhes caberia iniciativa de investigar roubo de dinheiro público, o que não é verdade. Pelo contrário: tendo notícia de casos de corrupção, o dever da autoridade constituída é o de investigar ou dizer por que não cabe fazê-lo.

Nos últimos anos, foram feitas CPIs para investigar compra de tapiocas por ministros e grampos telefônicos de autoridades cujos áudios jamais apareceram. Durante o governo Lula, a oposição obteve praticamente todas as investigações que pediu. Neste governo, que ninguém duvide que irá obter muitas mais.

Preocupa, no entanto, a tese de que o tempo justifica e absolve crimes da magnitude dos que são denunciados pelo livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., pois sugere que se houver corrupção e ela tardar a ser descoberta, corruptos e corruptores estarão livres.

De repente, o rigor com a corrupção que a tantos encantou durante os últimos nove anos, sumiu. E o governo e a cúpula do PT parecem achar, no mínimo, que se forem condescendentes com os adversários serão poupados mais adiante, quando surgirem denúncias contra esse governo.

Resumindo: a impressão que se tem, quando as autoridades supracitadas se manifestam contrariamente à investigação da privataria, é a de que têm o rabo preso de alguma forma, ainda que não se saiba qual. Aliás, a honestidade intelectual obriga a considerar a acusação do PSDB quando diz que tudo foi armação de novos “aloprados”.

Cidadãos de verdade não podem aceitar nem que supostos crimes de tucanos deixem de ser investigados, nem que petistas forjem acusações contra os adversários. Aqui se trata de uma questão de justiça. A Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a privataria precisa ser instalada para que se saiba qual dos lados agiu criminosamente.

Pelas razões expostas, este blog e seu signatário exigem a instalação da CPI da Privataria. E você, leitor?

09/12/2011

A privataria tucana: lançado livro que desmascara o tucanato e o empresariado

Acaba de ser lançado o tão prometido livro de Amaury Ribeiro Jr., jornalista que trabalhou no ninho tucano, que desvenda o modus operandis do tucanato em conluio com o empresariado nacional e internacional.

Alguns já consideravam o livro de Amaury Jr. a primeira grande lenda urbano-cibernética criada pela blogosfera brasileira, mas finalmente veio à luz, fartamente documentado, revelando as fortunas tucanas em paraísos fiscais, após as privatizações do governo FHC, e a rede de espionagem montada pelo ex-governador de São Paulo José Serra contra seu adversário interno no PSDB, o também tucano Aécio Neves, que era governador de Minas Gerais.

O livro está a venda nas melhores livrarias do país e pode ser encontrado a R$ 27,90.

Confira aqui a sinopse publicada no site da Livraria Saraiva:

Prepare-se, leitor, porque este, infelizmente, não é um livro qualquer.

A “PRIVATARIA TUCANA” nos traz, de maneira chocante e até decepcionante, a dura realidade dos bastidores da política e do empresariado brasileiro, em conluio para roubar dinheiro público.

Faz uma denúncia vigorosa do que foi a chamada Era das Privatizações, instaurada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e por seu então Ministro do Planejamento, José Serra. Nomes imprevistos, até agora blindados pela aura da honestidade, surgirão manchados pela imprevista descoberta de seus malfeitos.

Amaury Ribeiro Jr. faz um trabalho investigativo que começa de maneira assustadora, quando leva um tiro ao fazer reportagem sobre o narcotráfico e assassinato de adolescentes, na periferia de Brasília.

Depois do trauma sofrido, refugia-se em Minas e começa a investigar uma rede de espionagem estimulada pelo ex-governador paulista José Serra, para desacreditar seu rival no PSDB, o ex-governador mineiro Aécio Neves.

Ao puxar o fio da meada, mergulha num novelo de proporções espantosas.

06/11/2011

Efeitos da pregação midiática

A velhacaria parte do anonimato da internet mas não esconde os herdeiros da Casa-Grande.
Foto: Yuri Cortez/AFP

Por Mino Carta, CartaCapital

No princípio era e é a mídia. A primazia vem de longe, mas se acentua com o efeito combinado de avanço tecnológico e furor reacionário. De início a serviço do poder até confundir-se com o próprio, um poder ainda medieval de muitos pontos de vista, na concepção e nos objetivos.

Ao invocar o golpe de Estado de 1964, os editorialões receitavam o antídoto contra a marcha da subversão, obra de pura fantasia, embora os capitães do mato, perdão, o Exército de ocupação estivesse armado até os dentes. Marcha da subversão nunca houve, sequer chegou a Revolução Francesa.  Em compensação tivemos a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade.

Há tempo largo a mídia cuida de excitar os herdeiros da Casa-Grande ao sabor de pavores arcaicos agitados por instrumentos cada vez mais sofisticados, enquanto serve à plateia, senzala inclusive instalada no balcão, a péssima educação do Big Brother e Companhia. Nem todos os herdeiros se reconhecem como tais, amiúde por simples ignorância, todos porém, conscientes e nem tanto, mostram se afoitos, sem a percepção do seu papel, em ocasiões como esta vivida pelo presidente mais popular do Brasil, o ex-metalúrgico Lula doente. E o estímulo parte, transparentemente, das senhas, consignas, clichês veiculados por editorialões, colunonas, artigões, comentariões.

Celebrada colunista da Folha de S.Paulo escreve que Lula agora parece “pinto no lixo”, cuida de sublinhar que “quimioterapia é dureza” e que vantagens para o enfermo existem, por exemplo, “parar de tomar os seus goles”. Outra colunista do mesmo jornal, dada a cobrir tertúlias variadas dos herdeiros da Casa-Grande, pergunta de sobrolho erguido quem paga o tratamento de Lula. Em conversa na Rádio CBN, mais uma colunista afirma a culpa de Lula, “abuso da fala, tabagismo, alcoolismo”. A cobra do Paraíso Terrestre desceu da árvore do Bem e do Mal e espalhou seu veneno pelos séculos dos séculos.

Às costas destas miúdas aleivosias, todas as tentativas pregressas de denegrir um presidente que se elegeu e reelegeu nos braços do povo identificado como o igual capaz de empenhar-se pela inclusão de camadas crescentes da população na área do consumo e de praticar pela primeira vez na história do País uma política externa independente. Trata-se de fatos conhecidos até pelo mundo mineral e no entanto contestados oito anos a fio pela mídia nativa. E agora assistimos ao destampatório da velhacaria proporcionado pelo anonimato dos navegantes da internet, a repetirem, já no auge do ódio de classe, as tradicionais acusações e insinuações midiáticas.

Há uma conexão evidente entre as malignidades extraordinárias assacadas das moitas da internet e os comportamentos useiros do jornalismo do Brasil, único país apresentado como democrático e civilizado onde, não me canso de repetir, os profissionais chamam o patrão de colega.

Por direito divino, está claro. E neste domínio da covardia e da raiva burguesotas a saraivada de insultos no calão dos botecos do arrabalde mistura-se ao desfraldado regozijo pela doença do grande desafeto. Há mesmo quem candidate Lula às chamas do inferno, em companhia dos inevitáveis Fidel e Chávez, como se estes fossem os amigões que Lula convidaria para uma derradeira aventura.

Os herdeiros da Casa-Grande até mesmo agora se negam a enxergar o ex-presidente como o cidadão e o indivíduo que sempre foi, ou são incapazes de uma análise isenta, sobra, de todo modo, uma personagem inventada, figura talhada para a ficção do absurdo. De certa maneira, a escolha da versão chega a ser mais grave do que a própria, sistemática falta de reconhecimento dos méritos de um presidente da República decisivo como Lula foi. Um divisor de águas, acima até das intenções e dos feitos, pela simples presença, com sua imagem, em toda a complexidade, a representar o Brasil em tão perfeita coincidência.

Leia também:
Maria Rita Kehl fala sobre a ‘ditadura da felicidade’
L. G. Belluzzo: Os embalos da opinião econômica 
Antonio Luiz M. C. Costa: quantos escravos trabalham para você?

05/11/2011

A voz de Lula e outras vozes…

O ex-presidente brasileiro (2003-2010) não é só o líder do maior partido de esquerda do mundo, o Partido dos Trabalhadores, é uma das figuras mais carismáticas do planeta. Parte de sua militância, antes e agora, desde que começou sua carreira sindical nos anos 70 até seu giro pela Europa para pedir uma solução política para a crise, consiste em convencer e convencer. Com fatos, mas também falando com sua voz rouca para enunciar argumentos simples e emocionar. O artigo é de Martín Granovsky.

Martín Granovsky – Página/12

Era de manhã e caía uma chuva tropical quando o moderador Sergio Bertoni disse: “Queremos dar-lhes a notícia de que o presidente Lula tem câncer”. Não havia maiores informações. Fez-se um silêncio denso entre os 468 participantes do Congresso Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu. Passou menos de um minuto em meio ao painel “Experiências na América Latina” para se conseguir mais dados (era câncer de laringe e Lula já estava internado no Hospital Sírio Libanês de São Paulo) e tuitar: “Uma desgraça. Lula, dirigente popular e pedagógico, tem câncer de laringe”.

O ex-presidente brasileiro (2003-2010) não é só o líder do maior partido de esquerda do mundo, o Partido dos Trabalhadores, e uma das figuras mais carismáticas do planeta. Parte de sua militância, antes e agora, desde que começou sua carreira sindical nos anos 70 até seu giro pela Europa para pedir uma solução política para a crise, consiste em convencer e convencer. Com fatos, mas também falando com sua voz rouca para enunciar argumentos simples e emocionar. “Que problema”, disse alguém no twitter desde a Argentina. “O mesmo aconteceu com Castelli, orador da Revolução”, escreveu @raulcaminos. Castelli teve câncer de garganta.

O Encontro Internacional de Blogueiros, impulsionado por Joaquim Palhares, o inquieto editor do site de esquerda Carta Maior, com mais de 60 mil leitores cadastrados com nome e sobrenome, tratou de vozes.

Entre os 468 participantes, 250 eram de Foz e 218 de fora. Vieram de 17 estados do Brasil e de 23 países distintos, entre eles a Argentina, representada por Damián Loreti, que integrou a equipe que redigiu a Ley de Medios, o pesquisador Martín Becerra e outro Martín, que assina esta nota.

O Congresso emitiu um documento final reivindicando a liberdade de expressão, repudiando qualquer tipo de censura e criticando os monopólios midiáticos. Participou do encontro Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique em espanhol, sempre preocupado em pedir uma atitude aberta ante às mudanças tecnológicas envolvendo o jornalismo e enfatizar que as novidades não devem supor uma queda da qualidade profissional nem um cataclismo.

Os detalhes da experiência argentina despertaram muito interesse. A Ley de Medios poderia ser copiada no Brasil? Diplomático, Loreti disse que não se sentia autorizado para dizer o que outro país deve fazer, mas lembrou que, na elaboração da lei argentina, foram fundamentais “a participação popular, a vocação política e a decisão de basear-se em princípios dos direitos humanos” vigentes na América e no mundo. “Mesmo que a mão invisível do mercado alcançasse algum âmbito da comunicação, é certo que não seria suficiente para garantir a pluralidade nos meios de comunicação”, disse após esclarecer que a legislação argentina não regula conteúdos nem tem jurisdição sobre a imprensa escrita.

Para Loreti, especialista em Direito à Informação, “historicamente os meios de comunicação não são os oradores, mas sim o fórum público”.

Blanca Josales, diretora de comunicação do Peru, disse que para o governo de Ollanta Humala “a comunicação é um direito vinculado com a inclusão social”. Além disso, destacou que “o direito à informação é uma política pública”.

Ahmed Bahgat, do Egito, explicou um cyberativista não é o mesmo que um blogueiro. Ele contou que, durante as revoltas no Cairo, tiveram que driblar a divisão da polícia política encarregada da guerra eletrônica, que chegou a internar um blogueiro em uma instituição de saúde mental. Bahgat narrou que, enquanto enganavam a vigilância deviam construir redes de confiança. “Nós prestávamos atenção em quem estava trabalhando na rua e quando víamos que sua informação era séria nos conectávamos para trocar dados”, relatou. Terminaram desenhando círculos que serviam para checar a informação. Como uma redação virtual, mas nas praças e nos bairros das principais cidades do Egito.

Jesse Freeston mostrou um impactante vídeo sobre Honduras, onde um colaborador de um dirigente do presidente Porfirio Lobo se aproximava e, apontando para um periodista, dizia: “Faça com que o matem”. Freeston disse que, na América Latina, Honduras tinha o maior volume de jornalistas assassinados. Um dos ameaçados destacava no vídeo que tornar-se conhecido internacionalmente era uma das principais formas de proteção.

O autor do vídeo citou o encarregado da embaixada dos EUA na Guatemala, Hugo Llorens. É o mesmo diplomata que substituiu o embaixador Lino Gutiérrez na Argentina. Gutiérrez e outros membros do Departamento do Estado viram interrompidas suas carreiras depois que a Chancelaria dos EUA iniciou uma investigação interna por supostas irregularidades. O Página/12 informou em 2005 sobre o papel de Gutiérrez e sua equipe na teia de relações entre a empresa Cogent, Ciccone e o empresário Mario Montoto. É provável que Llorens tenham um guarda-chuva de proteção maior que o resto de seus colegas, porque segue na carreira.

O espanhol Pascual Serrano pediu para que não se sinta “um êxtase místico pelas redes”, ainda que “seria um suicídio renunciar aos artefatos da tecnologia”. Ao falar dos indignados disse que “a rua e o acampamento sozinhos, sem partidos, sem política, não servem” e defendeu que “a organização segue sendo importante como foi durante toda a vida, com pessoas que se juntam cara a cara e discutem”, porque “o ativismo virtual só consegue melhoras virtuais e não há possibilidade de mudança sem uma construção coletiva”.

Na mesma linha, Becerra disse que “é arriscado acreditar que as redes sociais medem o humor popular” e também que “pode haver um risco de endogamia, porque se reúne gente que pensa de maneira bastante parecida”.

Andrés Thomas Conteris, fundador nos EUA de Democracy Now em espanhol, ressaltou a “perspectiva das histórias populares como uma tarefa a realizar”. Ao comentar a crise econômica dos EUA deu um dado: enquanto outras crises que envolveram escândalos econômicos chegaram a envolver mil investigadores do FBI, “desta vez há só 15”. E um outro: as dívidas dos estudantes pelos créditos para seus estudos representam uma soma superior à dívida de cartões de créditos. Às 14h10min, um dos organizadores atualizou a informação. Lula estava sob controle médico. Aplausos.

Tradução:  Marco Aurélio Weissheimer

01/11/2011

Blogueiros condenam bloqueio a Cuba

O primeiro Encontro Mundial de Blogueiros condenou o bloqueio econômico, comercial e financeiro que Estados Unidos mantém contra Cuba há quase um século, por cercear ou censurar o acesso da ilha caribenha à internet.

A rejeição ao cerco econômico de Washington contra Havana aparece na Carta de Foz de Iguaçu, divulgada neste domingo (31) e aprovada pelos quase 470 assistentes de 23 países do encontro mundial de ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, realizado entre os dias 27 e 29 deste mês.

Os participantes pronunciaram-se contra qualquer tentativa de cerceamento ou censura na internet e pela neutralidade na rede, o incentivo aos telecentros e outros mecanismos de inclusão social e pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação, assim como pelo incentivo do software livre.

Nesse ponto, o documento final do encontro recusa “qualquer restrição no acesso a internet, como a imposta hoje por Estados Unidos em seu processo de bloqueio contra Cuba”.

A Carta de Foz de Iguaçu ressalta que” a reunião confirmou a força crescente dos chamados novos meios de comunicação, com seus lugares, blogs e redes sociais, ao mesmo tempo em que permitiu um rico intercâmbio de experiências”. Assim mesmo, prossegue, “o encontro evidenciou que os novos meios de comunicação podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia”.

Liberdade de expressão

Daí que os participantes consideram essencial a luta pela liberdade de expressão, que não deve ser confundida com a liberdade propalada pelos monopólios mediáticos, que castram a pluralidade informativa. Sustentam que o direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica.

A oposição a qualquer tipo de censura ou perseguição política por parte dos poderes públicos e das corporações do setor, aspecto exemplificado pelos ataques sofridos pelo site WikiLeaks, que tem revelado documentos secretos, constitui outro dos pontos do documento.

Outro é a luta por novas normas regulatórias da comunicação que incentivem os meios públicos e comunitários, impulsionem a diversidade e os meios alternativos, e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural.

Os assistentes lembraram ademais que essas novas normas regulatórias da comunicação devem coibir os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas.

Internet livre

Também concordaram em favorecer o acesso universal a uma banda larga de qualidade, ao estimar que a internet resulte estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. Por isso -ressaltaram- a internet não pode estar a serviço dos monopólios privados.

Para aprofundar em todos esses assuntos, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer os novos meios informativos sociais, os participantes decidiram realizar o 2º Encontro Mundial de Blogueiros em novembro de 2012, também em Foz do Iguaçu.

* Fonte: Prensa Latina via Vermelho

01/11/2011

Lula agradece o apoio e solidariedade do povo brasileiro

Enviado por em 01/11/2011
Vídeo: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

01/11/2011

Desabafo de um “porra-louca”

Por Ricardo Rocha

Aos meus amigos PeTistas ou não.

Preciso desabafar…

Quem me conhece e visita minha página no Facebook, sabem que sou um porra louca, que adora brincar, inclusive com a política e o cotidiano de cada um.

O que vi estes dias nas redes sociais, principalmente aqui, me deixou envergonhado de ser brasileiro, conhecidamente um povo solidário, mas que se mostrou mesquinho, vingativo e principalmente preconceituoso.

” Lula, faça seu tratamento no SUS ” não é uma campanha, e sim um desrespeito ao ser humano Lula. Não por ele não utilizar o SUS, mas não respeitar um líder, que conduziu um país ridicularizado a um nível de respeito jamais alcançado.

Um líder que governou para o povo, que olhou no olho do seu povo, que se jogou nos braços do seu povo e não se escondeu atrás de uma elite desinformada e preconceituosa, e de uma imprensa fabricante de notícias.

Será que estes não sabem que o SUS não é só da esfera federal?
Que os estados e municípios também administram? Comecem a cobrar seus prefeitos…

Será que estes não sabem que o Sírio-Libanes também atende pelo SUS?

Será que estes não sabem que os planos privados mandam seus segurados para o SUS, pois é mais capacitado em certos tratamentos, como o câncer por exemplo?

Será que estes não sabem que estes mesmos planos, muitas vezes, não ressarce o SUS pelos gastos?

Será que estes não sabem que estes mesmos planos, no governo Tucano de FHC, mais tiveram vantagens e mais prejudicaram o SUS?

Que a CPMF foi criada por um ministro de FHC, e que o mesmo pediu demissão quando viu que o dinheiro era desviado?

Não… Eles não sabem… Por quê? Porque com certeza assistem o JN, ouvem o Jabour ou leiam a Veja.

Lula nunca se escondeu atrás de um teclado para reinvidicar, ele foi a luta! Foi às ruas!

Ah! Mas vai aparecer um engraçadinho, e falar que ele não sabe usar um computador. E você? Sabe? Deve saber… Usa o Facebook, o MSN e assiste uns filminhos pornô.

Por isso sou PeTista…

Porque tivemos um líder que nos ensinou a lutar, a sair nas ruas…

Isso é Militância. Me desculpe os outros partidos, mas seus militantes só sabem o que passa pela TV, ou sai nos Jornais e Revistas.

São fracos de argumentos, e logo apelam para vida pessoal.

Apresentem argumentos, propostas… Mas é difícil, porque eles só falam o que vemos na TV…

Bem… Desculpem-me, mas precisava desabafar…

Força Companheiro Lula!

Esta batalha já está ganha!

#ForçaLula

30/09/2011

Sciences Po: Íntegra do Discurso de Richard Descoing

Artigo sugerido por Nelba Nycz, do midiacrucis

 O Instituto de Estudos Políticos de Paris – Sciences Po – acaba de divulgar, na íntegra, o vídeo da cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento ocorreu na capital francesa na última terça-feira (27).

Confira, abaixo a tradução feita pelo Instituto Lula dos discursos de Richard Descoing e de Jean-Claude Casanova, que falaram antes de Lula:

Richard Descoing
Diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris

Vossa Excelência, bem vindo à Sciences Po. É um prazer estar aqui com você.

Senhor presidente da República, senhor presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, senhor primeiro-ministro, senhores ministros, senhoras e senhores embaixadores, professores da Sciences Po, senhoras e senhores alunos da Sciences Po,

Meu português, e particularmente meu português brasileiro, não é bom. Senhor presidente, me permita não continuar meu discurso em português. Creia que eu fico chateado, neste evento em que tantos jovens alunos hoje estão aqui, notadamente aqueles que se locomoveram do nosso campus em Poitiers, especialmente pelo senhor. Eles ensinam a “paixão”, o português, o espanhol, o francês, mesmo o inglês e algumas outras línguas do nosso mundo.

O senhor compreendeu, senhor presidente, pela recepção que lhe foi reservada no Grande Hall histórico de Sciences Po, além do anfiteatro que leva o nome do fundador da Sciences Po, o quanto nós somos entusiastas e imensamente honrados que você tenha aceitado receber do corpo docente da Sciences Po o título de Doutor Honoris Causa que lhe entregará nosso presidente, senhor Casanova, em breve, assim que ele pronunciar seu “Elogio”.

Acompanhem-me sobre algumas palavras a respeito do nome. Quero lhes dizer – eu espero, em nome da grande parte dos que estão aqui esta noite – como nos sentimos de compartilhar com os senhores e com o país ao qual pertencem, seus valores que não abrem mão de defender. Começo por um valor que é caro à Sciences Po, que é caro ao seu país e que eu devo crer que é caro igualmente a muitos países no mundo que compreendem este que vos recebe esta noite. Eu lhes falo de mestiçagem.

Cremos profundamente na Sciences Po no extraordinário enriquecimento que representa a mestiçagem de culturas, de educação, de nacionalidades, de paixões – das quais falei agora há pouco – mestiçagem e confrontação de ideias. Aqui, em uma instituição de ensino superior e de pesquisa, nós temos opiniões definitivas sobre tudo e todo assunto. Se não formos inspirados a todo momento pelos trabalhos científicos de outros membros, de outros corpos docentes, por todo o mundo, nosso pensamento será mais pobre. É a mestiçagem deste pensamento que nos enriquece, mas também a confrontação, nós estamos em um país, em uma universidade que crê no debate.

A Sciences Po foi criada por humanistas que estiveram confrontados a outros pensamentos, de homens e mulheres – na época mais por homens, é preciso dizer – que eram convencidos que todos os valores não são comparáveis, mas que o que faz a força de uma democracia liberal é a confrontação, é a disputa, é o debate, que não termina necessariamente em consenso, mas que ao menos dá a cada uma e a cada um a possibilidade de se exprimir e de defender as ideias que ela ou ele decidem se engajar, seja em empresas, na administração pública, nas instituições internacionais, organizações não-governamentais e, claro senhor presidente, na política.

Eu percebo aqui e no seu país a crítica aos políticos. Eu gostaria de dizer muito solenemente de minha imensa admiração pelos que se lançam sem grande esperança de fortuna, algumas vezes na expectativa de sucesso, na defesa de suas ideias, de seus valores, para fazer ganhar um espaço na história de sua sociedade, fazer ganhar sua convicção e receber de seu povo a honra de ter sucesso no governo.

A mestiçagem, das ideias, da cultura, de nação, assim como estamos fazendo na União Europeia, e ao mesmo tempo a confrontação intelectual, a disputa, e a aceitação de que certos valores devem se sobressair sobre outros. Esse é um primeiro ponto que pode explicar a decisão unânime de entregar ao senhor o título de Doutorado Honoris Causa.

Mas não é a única. A segunda razão – não irei além de três – é a luta que fez contra as desigualdades. Claro que quando lutamos contra as desigualdades, não temos sucesso totalmente, nem definitivamente. Aí, alguns se aproveitam pra dizer que tudo é impossível, nada é desejável, necessário, nem possível de começar. Nós cremos, na Sciences Po, que a luta contra as desigualdades, mesmo aquelas difíceis e perenes, é um valor que motiva nós todos da comunidade acadêmica. Eu creio que o senhor representa aqueles que pensam, não apenas no seu país, que não podemos nos satisfazer às desigualdades persistentes e acentuadas. E sabemos como é efetivamente difícil dar maior igualdade de oportunidade.

O terceiro valor é formidavelmente representado em frente a vocês esta noite. É a curiosidade intelectual infinita e a vontade infinita de conhecer o mundo em que estamos. Você lutou para que o Brasil acessasse um status internacional – nossos professores costumam dizer – como jamais sem dúvida alcançou, claro que com ajuda do seu predecessor e em seguida de sua sucessora, para que o Brasil tenha um impacto considerável nas questões do mundo.

Hoje não é mais possível tratar de um assunto sem que os brasileiros sejam consultados. Melhor ainda, você conquistou que as relações se multiplicassem entre os países do sul, de uma maneira que a Europa passa a compreender que a abertura, por exemplo, de suas fronteiras agrícolas não será danosa aos camponeses europeus. Não pensamos mais o mundo unicamente na oposição entre o mundo de industrialização antiga (espero que não seja de prosperidade antiga, espero estar errado em dizer isto) e o mundo emergente, que deve muito à Europa e à Àfrica. Por isso nós abrimos, depois de dezenas de anos, um campus fora de Paris com estudantes que vêm do mundo todo. Cremos, neste novo ano escolar, em um novo contato entre estudantes europeus e africanos, e optamos que os estudantes desta nova formação possam representar diversos estados africanos, e que possam vir da Europa e de outros países.

Gostaríamos profundamente e concretamente, através dos jovens que estão aqui hoje, de constituir esse mundo de cidadania e de regulação mundial, que sabemos ser complicada, conflituosa, mas que pode avançar mais rápido do que pensamos na Europa graças à imensa energia de jovens de várias gerações, e aos jovens que aqui estão hoje, para lhe dizer da nossa admiração, nosso respeito e a imensa felicidade de lhe incluir ao nosso corpo docente. Eu agradeço ao senhor.


Jean-Claude Casanova
Presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas

Senhor presidente, senhor secretário-geral do ministério das Relações Exteriores, senhores embaixadores, caro diretor e amigo, caros colegas, senhoras e senhores,

Lá se vai exatamente um século desde que um grande escritor francês – muito conhecido na época, menos conhecido hoje em dia – que tem o belo nome de Anatole France, se rendeu ao Brasil e foi recebido pela academia de seu país.

Evocou sentimentos republicanos que defendia, e estimulava os brasileiros. E a Republica brasileira foi proclamada no mesmo quarto de século que a República francesa. Ele lembrou Gambetta, Litré, e sobretudo Jules Ferry como discípulos de Auguste Conte, os positivistas. Ele definiu o positivismo pela imparcialidade, pela pesquisa da lógica na preparação e de conclusões unicamente fundadas na experiência, e reconhecia que esta doutrina, esta religião, nasceu na França e foi passada como se passam todas as outras.

No Rio de Janeiro, ele constatou que no Brasil o positivismo recebeu as adesões mais sólidas, e escreveram na sua bandeira “Ordem e Progresso”, máxima que deve ser depurada para deduzir sua humanidade, o amor por princípios. Ordem como base, progresso como objetivo, fórmula que deve ser agregada a: saber para prever a fim de poder, induzir para deduzir a fim de construir, o homem de mais a mais não precisará se subordinar à humanidade.

Fórmula que parece ainda ditar as ações e a alma do seu país, o positivismo prefere a indústria à guerra, a solidariedade à luta, respeita a independência dos sábios, reserva apenas a polidez às autoridades para mostrar admiração, eleva os proletários ao mesmo status de engenheiros, a força dos homens à doce diplomacia das mulheres. Nos ideais de Comte encontramos a esperança e a generosidade.

Como francês e europeu, não posso me esquecer do telegrama enviado pelos positivistas do Brasil em 1914 pedindo que franceses e outros povos – que Comte chamava de Repúblicas Ocidentais –não entrassem em guerra, além de alertar sobre o risco da presença catastrófica do retardo da propaganda positivista em Paris. Em setembro de 1914, os mesmos brasileiros alertam sobre a catástrofe que estava por vir na Europa, especialmente nestas repúblicas ocidentais. O telegrama resta sem resposta ao seu país, e me dá um sentimento de deferência. Deferência dos que devem aos filhos aqueles que erraram, ao passo daqueles que vislumbraram a justiça e deram conselhos desinteressados que não foram seguidos.

Deste Brasil tão próximo do ideal e tão longe de nós, o senhor é, presidente, uma das melhores encarnações. Assim que esta casa foi criada, os que foram os inspiradores pensaram que não podem dissociar a política do exercício do poder, como experiência, e a reflexão sobre a política. Assim homens políticos e teóricos estudaram nesta escola, desde o seu início. É natural que o saudemos como Doutor da Política , um homem que provou sua ciência por sua ação, que testemunhou por seu próprio mérito, e que a ensina pela história de seu sucesso.

Permita-me retornar a 1945, ano que o senhor nasceu, na sequência da guerra que o Brasil lutou do lado da democracia. A desconfiança inglesa e o impedimento soviético coibiram a proposta de incluir o Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. O senhor nasceu em uma família de oito crianças educadas por sua mãe. O mesmo Auguste Comte diria que renunciássemos à palavra “pátria”, e que substituíssemos pela palavra “mátria”. Trabalhador metalúrgico, tornou-se líder sindical, fundou o PT, confrontando com nobreza e coragem por 22 anos as lutas eleitorais, foi eleito em 2002 à presidência da República Federativa do Brasil. Auguste Comte não amava os doutores e os diplomados, e no triunfo dos proletários ele teria visto um evento digno de comemoração. O senhor é o 36o presidente do Brasil, mas o primeiro vindo do povo sem graduação ou título universitário. Sua eleição se constitui uma inovação inesperada, a ascensão da igualdade em uma sociedade desigual.

É difícil ser eleito, é mais difícil ser reeleito, isto que o senhor fez em 2006 com mais de 60% dos votos. É ainda mais difícil de merecê-lo. No curso de seus dois mandatos, 35 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema e a classe média se tornou majoritária no seu país. Quinze milhões de empregos foram criados, e o poder de compra das famílias cresceu muito. No fim do seu segundo mandato, você tinha mais de 80% de opiniões favoráveis, e cedeu seu lugar à candidata que havia apoiado, a senhora Dilma Roussef. Não conhecemos na Europa trajetória politica tão luminosa e virtuosa.

O seu trabalho justifica o seu renome, e seu renome justifica nossa vontade de lhe entregar o Doutor Honoris Causa. Do seu trabalho, destaco as ideias de economia mais próspera, de uma sociedade mais justa e mais educada, e de um Brasil mais presente no mundo. O periódico que é conhecido por não ser complacente, a revista inglesa The Economist, disse sobre o senhor “Finally, Brazil takes off” (Finalmente, Brasil decola). É uma metáfora conhecida dos economistas, e quer dizer que o crescimento médio no seu mandato foi em torno de 4% por ano, a dívida publica foi reduzida em 20% e corresponde hoje a 43% do PIB, e as reservas foram multiplicadas por sete. Espero que você aproveite sua viagem à Europa para dar alguns conselhos aos nossos governantes.

Uma sociedade mais justa e melhor educada, com menores desigualdades, favorecendo todas as formas de acordos salariais. Desenvolveu, pelos programas sociais, uma larga distribuição que fez com que a classe média represente hoje 53% da população do Brasil. Você quis que as universidades fossem mais numerosas e mais dotadas. Em 2003, havia 9% dos brasileiros estudando no ensino superior. Na sua saída, eram 14%. Você criou 14 novas universidades federais e dobrou o numero de estudantes que estudavam através de bolsas. Por fim, você deliberou politicas de ações afirmativas, o que chamamos aqui de “discriminação positiva”.

O lugar do Brasil no mundo foi afirmado e o Brasil se transformou em um dos atores principais da cena internacional, a principal potência da América Latina e uma das principais potências do planeta. Você favoreceu a integração econômica do Sul face aos Estados Unidos, com um papel considerável nas negociações comerciais, ambientais e financeiras no mundo. Vocês não se tornaram, apesar de seus esforços, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – alguém que pode dizer “não”. Auguste Comte preferia as mulheres e os proletários aos homens e diplomados porque pensava ter mais valor dizer “sim” ao progresso e à paz.

Por todas estas razões, além de outras razões conhecidas, nosso Conselho decidiu conceder ao senhor o título de Doutor Honoris Causa da nossa Sciences Po. Estou encarregado de dizer ao senhor da nossa deferente admiração e peço que aceite este título, certamente inútil à sua gloria, mas que nos honrará e que nos permitirá dizer que, graças a homens como o senhor, a política pode ser respeitada e ensinada.

31/05/2011

Banners do 2º Encontro Nacional de Blogueiros

Insira os banners do Segundo Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas no seu blog, site, página, twitter, facebook.

Ajude a divulgar este grande movimento pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação!

31/05/2011

Lula em Curitiba dia 9

Por Redacao Blog Lado B

“O cara”!

O ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, “o cara”, confirmou sua participação na Marcha da Economia Solidária, que acontecerá dia 9 de junho (quinta-feira) em Curitiba e reunirá cerca de mil catadores e catadoras de materiais recicláveis. A concentração será na praça Tiradentes e está marcada para 15h. Às 16h30 está marcada caminhada até o Palácio das Araucárias no Centro Cívico (praça Nossa Senhora da Salette), onde o Movimento Nacional dos Catadores entregará pauta de reivindicação às autoridades estaduais. A marcha integra as atividades da Semana Mundial do Meio Ambiente e do Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil – “Contaminação de Crianças por Agrotóxicos e Criança no Lixo Nunca mais”, além de fazer um link com a programação do II Encontro Nacional de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis, de 7 a 9 de junho, no Litoral do Paraná.

Os principais objetivos dessa grande mobilização são:

* Erradicar o trabalho de crianças e adolescentes na coleta de resíduos sólidos, nos lixões e nas ruas;

* Implantar gestão sócioambiental integrada e compartilhada dos resíduos sólidos, incorporando a participação dos catadores de materiais recicláveis e a garantia de remuneração deste trabalho;

*Reconhecer e apoiar as organizações de catadores;

* Proibir a incineração de resíduos sólidos no Estado do Paraná.

Maiores informações sobre essas atividades estão disponíveis no blog ECONOMIA SOLIDÁRIA E AGROENERGIA.

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