Ainda sobre o “acordo” dos metalúrgicos na Fiat de Turim

Por Claudia Santiago

Publicado originalmente em 20.01.11, no Porto Gente

No dia 14 de janeiro, 54% dos trabalhadores da planta da Fiat de Mirafiori votaram pela assinatura do acordo assinado entre as centrais sindicais italianas e a montadora menos a Fiom, a Federação dos Metalúrgicos. O resultado se deve ao voto maciço dos trabalhadores dos escritórios (95%) em favor da proposta da empresa. Os operários da cadeia de montagem, o coração do chão da fábrica, ao contrário, disseram não.

A greve geral contra a política de retirada dos direitos trabalhistas e de organização sindical, configurada no acordo que a Fiat enfiou goela abaixo dos trabalhadores, marcada para o dia 28 de janeiro está mantida.

A greve é extremamente difícil. Primeiramente porque não está sendo convocada pelas centrais, mas sim pela Fiom que representa o setor metalúrgico de uma das centrais, a CGIL. Clique aqui para ver agenda da CGIL para janeiro. Será difícil emplacar a greve embora outras categorias, como os químicos, os funcionários públicos, amplos setores do movimento estudantil e até o movimento contra a privatização da água já tenham declarado o seu apoio.

Outro motivo é que há muito tempo a Itália abandonou a prática de greves gerais. Para alguns, a greve geral convocada para o último mês de junho foi apenas uma greve que não aconteceu. E para completar, a esquerda italiana que se aglutinava em torno do PCI é, hoje, é tremendamente pulverizada. Essa divisão se multiplica no momento atual com o acordo assinado “na marra” e a greve convocada pelos metalúrgicos. Dentro do PD (Partido Democrático, ex- PCI), a maioria da direção acha que a Fiom deveria assinar o acordo. Entre os militantes, a situação é diferente. Na prática, é contra a greve do dia 28. Para se ter uma idéia da divisão, a Itália, país que mantém a tradição de jornais de esquerda tem três publicações originária no antigo Partido Comunista: L´Unità, Il Manifesto e Liberazione. Todos os três em árdua campanha de assinatura para sobreviver.

Nota da Fiom no dia seguinte ao plebiscito

Para secretário geral da Fiom resultado do plebiscito é extraordinário

“O plebiscito de Mirafiori obteve um resultado extraordinário e inesperado. Agradecemos a todos os trabalhadores e trabalhadoras que mesmo sob chantagem defenderam a sua dignidade e a dignidade de todos os trabalhadores italianos. “

“À luz deste resultado, seria um ato de sabedoria por parte da Fiat reabris uma verdadeira negociação porque as fábricas, para funcionarem necessitam do consenso dos trabalhadores, e é evidente que a empresa não o tem. O sindicato e os trabalhadores querem investimento, mas também continuarem a ter direitos e dignidade.”

“Se há um sindicato que, com este resultado, demonstra ser representativo, este á a Fiom. Seria necessário se perguntar como administrar as fábricas sem consenso. A Fiom não renunciará a estar presente naquela fábrica”.

Veja os outros artigos de Claudia Santiago direto da Itália:

Notícias das lutas da Itália – Parte I (29.12.10)
http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=38113

Porto de Gênova e trabalhadores imigrantes (04.01.11)
http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=38292

Itália, um país politizado, mas com traumas profundos (13.01.11)
http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=39095

Fonte: www.portogente.com.br

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