Meio ambiente para quem?

Política do governador recém-empossado Beto Richa (PSDB) para o setor de habitação é colocada à prova

Pedro Carrano e Edinubia Ghisi, do Brasil de Fato

de Curitiba (PR)

Quatro grandes ocupações em Curitiba, realizadas desde 2007, foram processos com elementos semelhantes: os trabalhadores organizam-se de modo espontâneo ou, em alguns episódios, sob convocatória dos próprios grileiros da terra, preocupados em vender o terreno, em conluio com prefeituras e cartorários. Em poucos dias, porém, a demanda reprimida por moradia faz com que o número de famílias se multiplique, e a questão ganhasse nova dimensão política e social.

Um dos coordenadores da ocupação no bairro da Caximba, que abriga 450 famílias desde o dia 29 de outubro, apresenta uma pasta com documentos de inscrição da Cohab de Curitiba. No volume, alguns comprovantes de inscrição datam de 1992. O local onde se encontra a ocupação, perto de região de afluentes do rio Iguaçu, é um descampado formado por cavas e antigas áreas de mineração. Sobre as denúncias de ocuparem uma área de “preservação permanente”, as lideranças apontam o inverso, uma vez que o local servia de local para desmanche de carros. Daniel, um dos coordenadores, enumera projetos do capital – caso do shopping center Barigui – localizados próximos a áreas de rio e nem por isso importunados pelo agente de justiça.

Não é apenas a terminologia de “invasão”, mas a política que, em primeiro lugar, coloca o assunto a ser resolvido como questão jurídica, defende Rosa Moura, do Observatório das Metrópoles. A síntese dessa criminalização, no caso da Caximba, foi a tentativa de despejo realizada logo no início da ocupação, promovida pela Guarda Municipal, sem documentos de reintegração de posse e sem atribuição, em terreno estadual. “Filmamos e eles saíram correndo, levando as nossas ferramentas embora”, comenta Beth, que mudou com os filhos de outra região da cidade para lá. Para ela, é tudo ou nada, uma vez que não há como voltar atrás depois mais de meses.

Nesses casos, a resposta das autoridades parece ser a remoção imediata. Solução existiria, garantem as lideranças. Cláudia Antonia Roberto, do Itaqui, em São José dos Pinhais, já fez de sua casa um espaço rodeado de horta familiar e vegetação nativa, o que poderia ser uma política da comunidade, caso houvesse regularização. “Não seria um problema, se eles quisessem fazer uma vila ecologicamente correta, a gente aceitaria, arrumaria mudas de árvores, se organizaria no modelo de vila agroecologica, mas eles não querem”, critica.

De acordo com dados da Cohab Curitiba, a cidade possui mais de 12 mil famílias sobre zonas de proteção ambiental. Desde 2007, a companhia realocou 1,8 mil famílias à margem de rios desde 2007.

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