Miguel Nicolelis e os blogs sujos

Por Daniel Dantas, de Natal, RN

Entrei em casa precisamente à meia noite.  Estava extasiado.  É tocante e empolgante, para mim, ver alguém apaixonado falando.  Hoje, tive o privilégio de ouvir um dos cientistas mais importantes do planeta, Miguel Nicolelis.

Para mim, além da emoção, não posso negar que me enchi de um orgulho.  O twitter possibilitou a mim e a meus companheiros blogueiros sujos de Natal reunirmo-nos pessoalmente com um homem apaixonado.  Apaixonado e militante.  Defensor de uma revolução social.  De um modelo de nação nascido com o presidente Lula.  Que põe a cara a tapa e não se deixa vencer pelas consequências.  Que é sonhador e utópico.  Empolgante para mim, como militante, como organizador, como blogueiro sujo e como pesquisador.  Desafiador.

Para mim, de tantas coisas que ainda serão ditas do encontro desta noite, me chamaram a atenção algumas coisas que mostram o descaso do poder público com o projeto de revolução de Nicolelis.

Primeiro, ele arrancou risos da platéia lembrando que até a Science, maior revista científica do mundo, já falou do absurdo que é o não asfaltar os cinquenta metros que levam a esquina da Natal Veículos à Sede do Instituto no bairro de Neópolis, em Natal.  Ele lembrou que onde chega no mundo, “Alemanha, Suiça, as pessoas perguntam: já asfaltaram?”.  De uma criticidade cômica!

Ele destacou também que esteve com a governadora Rosalba Ciarlini há quase dez dias e lhe prometeram uma lista de prédios públicos fechados nos quais ele poderia instalar a rede de escolas que propõe.  Até agora, uma simples lista de prédios públicos não foi disponibilizada.

Mas, sem dúvida, os momentos que mais descontraíram o ambiente foram as referências à dificuldade que as pessoas tiveram de entender que Nicolelis estava no twitter e não era um fake.  A discussão de identidade, neurociência decorrente daí foi genial.  Do tipo freireana.  As referências à Thaisa Galvão, que duvidara que ele era ele por causa da forma como ele se posicionava – “cientista não se posiciona assim” – foram hilárias.

Uma pena que as despedidas foram rápidas.  Miguel é aquele tipo de pessoa encantadora, como se fosse um livro de estórias que a gente abre na infância e só consegue largar quando crescem os netos.  Como se fosse um livro escrito pela sua mãe.  Como se fosse um livro escrito por ele, para nós, nossos filhos, netos e as futuras gerações – gerações que poderão ser o que quiserem e estar onde desejarem.  A partir do mais simples sonho: de que o filho do pobre pode ser astrônomo, advogado, médico ou filósofo.  Ele pode ser o que quiser e não o que a Revolução Industrial tenta impor que seja.

Quem esteve esta noite na Siciliano e quem pode acompanhar pelo twitcam saiu de lá mais leve, mais feliz, desafiado e realizado.  Digam por aí que @MiguelNicolelis existe, não é um fake, é real

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