Arquivo para julho 25th, 2011

25/07/2011

Esta crise se deve ao mecanismo de socialização das perdas e privatização dos lucr os

A crise global atual não se deve, afirma o economista italiano Carlo Vercellone, à falta de intervenção estatal, mas ao modo preciso como os Estados se moveram para salvar o capital. Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha (os PIGs, “porcos”, como estes países são chamados por suas iniciais em inglês) aparecem como os elos mais frágeis do Velho Continente, que hoje estouram socialmente e atualizam o debate sobre o destino das medidas de ajuste.

Vercellone, professor de Economia na Sorbonne, de Paris, foi convidado a vir a Buenos Aires pela Universidade de General Sarmiento, onde debateu com pesquisadores e economistas locais e desenvolveu sua tese de que estamos em um “capitalismo cognitivo” (que não tem nada a ver com o festejo das inovações tecnológicas na produção). Em conversa com Cash, Vercellone aporta uma perspectiva da crise, defende a atualidade das instituições do Estado de bem-estar e especula sobre as alternativas, ultrapassando as receitas neoliberais.

A entrevista é de Veronica Gago e está publicada no jornal argentino Página/12, 24-07-2011. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Como caracteriza a crise atual?

A crise global é absurda por duas razões articuladas. A primeira é que, efetivamente, a crise da dívida deriva da intervenção que diferentes Estados e instituições públicas fizeram para salvar o capital dos efeitos da própria crise produzida pelos mercados financeiros. Essencialmente, esta crise de dívida se deve a este tipo de mecanismo de socialização das perdas e privatização dos lucros, e a tentativa de evitar uma espiral deflacionista como a de 1929.

Isso significa que esta crise poderia ter sido evitada?

A Europa se encontra em uma situação em que poderia dispor, a nível macroeconômico, do conjunto dos instrumentos para evitar esta crise. Com exceção da Grécia, onde existia uma tendência de alta do gasto público, nos outros países a dívida pública é elevada apenas para salvar os bancos. Mas se a Europa simplesmente aceitasse criar moeda, rompendo com os artigos da Constituição Europeia que proíbem o Banco Central Europeu de adquirir diretamente os títulos da dívida pública dos Estados-membros, teria sido capaz de garantir a dívida soberana dos diferentes Estados. Desta maneira, a especulação dos mercados financeiros teria sido, de fato, praticamente bloqueada. Monetizar a dívida pública através da intervenção do banco central e negociar com o mercado como se fez no chamado Terceiro Mundo para reestruturar a dívida, teria evitado uma crise como a atual, porque o mercado teria que ceder. A questão é saber por que isto não foi feito.

E por quê?

Creio que há duas razões essenciais que fazem ver na Europa um exemplo fortíssimo do poder da renda no capitalismo contemporâneo. O Estado era muito forte quando havia uma regulação keynesiana da moeda que supunha uma relação entre o banco central e o tesouro público. Isso significava que quando o conflito social pressionava fortemente sobre as estruturas do Estado, este era obrigado a criar moeda para, em certo sentido, favorecer o desenvolvimento do salário socializado e financiar o serviço coletivo do Estado de Bem-estar Social. Quando se decide romper o cordão umbilical entre o banco central e o tesouro público, e instalar a regra monetarista da oferta de moeda, é feito para poder desvincular o governo da pressão e das demandas das lutas. Tudo isto com o pretexto oficial de reduzir o peso da dívida pública. Assim, quando se proíbe financiar o gasto público – e a expansão do salário social – através da criação monetária por meio do banco central, obriga-se o Estado para que vá buscar financiamento nos mercados financeiros. Este período corresponde ao começo dos anos 1980, à primeira grande fase de desenvolvimento do capital financeiro.

Mas os efeitos são outros.

Evidentemente, isto não se traduz na redução do gasto público, mas em sua explosão enquanto depende de duas variáveis: do crescimento do produto interno e do nível das taxas de juros. Tendo rompido com a política keynesiana, por um lado o crescimento diminui e, por outro, as taxas de juros explodem. O resultado é exatamente o contrário do que se pensava. Na realidade, foi uma passagem de mecanismos de poder: do mecanismo de regulação da moeda que favorecia o salário social para o mecanismo de regulação da moeda que favorece o poder da renda. Tudo isto leva a pensar que a Europa e suas instituições não sofrem tanto, como se diz, de uma falta de soberania política, mas que esta soberania política é completamente absorvida pelo poder da renda financeira.

Neste contexto, você reivindica a defesa dos direitos do Estado de Bem-estar Social.

Nesse contexto, entra em jogo de modo estratégico a questão da privatização dos serviços coletivos do Estado de Bem-estar Social. Como podemos constatar na crise atual, os setores em que a demanda tende a permanecer estável ou a crescer, apesar da crise, são os setores de primeira necessidade como os bens alimentícios ou as demandas para os setores da saúde e da educação. Na Europa, estes setores eram garantidos essencialmente pela lógica do Estado de Bem-estar Social, como uma lógica para além do mercado. Na Grécia, justamente, se está experimentando um mecanismo potente de privatização de serviços coletivos do Estado de Bem-estar Social porque, creio, representa uma das últimas fronteiras que se abre à expansão mercantil do capital.

Esses setores sociais não representam hoje a mesma coisa que há 30 anos.

Pode-se dizer que o desenvolvimento do capital durante o capitalismo industrial se fundou sobre a integração progressiva daquilo que em princípio era externo ao capital. Por exemplo, a própria esfera das necessidades era inicialmente externa ao capital, depois, pouco a pouco, o consumo privado foi se integrando à acumulação do capital. Em um certo ponto, com o desenvolvimento dos serviços coletivos do Estado de Bem-estar Social, se deu uma espécie de exterior pós-capitalista. Nesta fase, a posta em jogo estratégica é conquistar, como se se tratasse de uma necessidade objetiva, este exterior ao capital para poder reconduzi-lo ao interior da lógica da formação de capital. É preciso destacar que hoje setores como a saúde e a educação têm um novo papel: são essenciais para o controle biopolítico da população,são aqueles onde a demanda está destinada a crescer e ao qual o capitalismo não poderá responder eficazmente.

Fonte: IHU

25/07/2011

Atentado em Oslo – Noruega

Número de mortos sobe para 91 em Oslo

Publicado em 23/7/2011 5:04, por Rui Martins – de Genebra

É a maior tragédia cometida na Europa, depois dos atentados em Madri, há sete anos. Com uma diferença – os atentados a bomba no centro administrativo de Oslo, capital da Noruega, onde morreram sete pessoas, e os disparos contra os jovens, na ilha de Utoya, duas horas depois, na ilha de Utoya, matando 84 participantes de um congresso juvenil do Partido Trabalhista, parecem ter sido atos de uma só pessoa ligada à extrema-direita.

Embora a polícia até agora não tenha as razões que moveram o terrorista, ao que parece solitário, uma coisa parece certa – os atentados nada têm a ver com a Al-Qaeda e estariam ligados à crescente ascensão das antigas ideologias racistas neonazistas. Atualmente, os extremistas de direita constituem a segunda força política na Noruega, contrários ao aumento de imigrantes verificado nos últimos anos. Uma tendência que vem se afirmando nos países nórdicos, da Dinamarca à Suécia e que preocupa as lideranças européias.

Anders Behring Breivik, jovem de 32 anos, loiro, magro, um típico escandinavo, extremamente frio quando abatia os jovens na ilha de Utoya com seu fuzil-metralhadora, seria ligado ao movimento fundamentalista cristão, sendo se informou nesta manhã, em Oslo. Sabe-se também ser o autor dos disparos contrário ao Islã.

Rui Martins, de Genebra, com Redação e agências internacionais.

Anders Behring Breivik, 32 anos, um típico escandinavo, fundamentalista cristão, anti-Islã, de extrema-direita seria o autor dos dois atentados.

Publicado em 23/7/2011 6:50, por CMI Brasil  e por Frente Popular 23/07/2011 às 09:19

A Direita mostra a sua verdadeira face e vocação para apelar à violência e mata pelo menos 91 pessoas na Noruega

O suspeito dos ataques de sexta-feira, Anders Behring Breivik, de 32 anos de idade, tem opiniões políticas de direita, segundo a polícia.

O chefe de polícia Sveinung Sponheim disse que mensagens suas publicadas na internet “sugerem que ele tem opiniões políticas voltadas para a direita, anti-islâmicas”. “Mas ainda não sabemos se isso foi uma motivação para os eventos ocorridos”, disse ele à emissora norueguesa NRK.

Pouco se sabe sobre ele além do que foi publicado em sites de redes sociais como Facebook e Twitter e suas contas foram abertas apenas em 17 de julho.

Na sua suposta página do Facebook, ele se descreve como um cristão e um conservador. A página não está mais disponível, mas afirmava que ele se interessava por musculação, maçonaria e no poder do indivíduo.

Testemunhas nas ilhas Utoeya o descreveram como loiro, alto e vestido com um uniforme da polícia. A imagem no Facebook é de um homem loiro de olhos azuis.

O jornal norueguês Verdens Gang citou um amigo de Breivik dizendo que ele se voltou ao extremismo de direita quando tinha pouco menos de 30 anos de idade. O jornal diz também que ele participava de fóruns online expressando fortes opiniões nacionalistas.

Aparentemente ele não tinha treinamento militar específico, ou ficha criminal.

Acredita-se que Breivik tenha crescido e estudado em Oslo. Já adulto, mudou para fora da cidade e criou a empresa Breivik Geofarm, uma companhia agrícola para o cultivo de vegetais.

A imprensa norueguesa diz que por meio da empresa ele teria conseguido comprar fertilizantes, um ingrediente na fabricação de bombas.

Sua suposta conta do Twitter apresenta apenas uma mensagem, que cita o filósofo John Stuart Mill: “Uma pessoa com convicção tem a força equivalente a 100 mil que tenham interesses apenas”.

Publicado em 23/7/2011 6:32, por Deutsche Welle

Após o ataque devastador em Oslo e o massacre em um acampamento de jovens em uma ilha próxima à capital, a polícia norueguesa corrigiu o número de mortos na manhã deste sábado (23/07). Segundo os investigadores, os atentados ocorridos na sexta-feira deixaram pelo menos 91 mortos.

As autoridades confirmam que pelo menos 84 morreram na ilha de Utøya, perto de Oslo, onde mais de 500 jovens participavam de um acampamento de verão do Partido Trabalhista, ao qual pertence o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg. Outras sete pessoas foram mortas em consequência da explosão de uma bomba horas antes, junto à sede do governo norueguês, em Oslo.

Número de mortos pode aumentar

O primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, considerou os acontecimentos uma “tragédia nacional”, afirmando ser “a pior catástrofe desde a Segunda Guerra”. A polícia não descartou que o número de mortos no massacre na ilha ainda venha a subir.

Bildunterschrift: Foto do dia anterior ao massacre mostra jovens no acampamento do Partido TrabalhistaConforme as últimas informações da polícia em Oslo, um norueguês de 32 anos,  preso ainda na sexta-feira, seria o autor de ambos os ataques. O homem seria defensor de ideias de extrema-direita e, conforme os investigadores, de orientação “fundamentalista cristã”. Com ele, foram apreendidas duas armas de fogo, incluindo uma metralhadora.

Em uma entrevista coletiva na manhã de sábado, a polícia não quis dar detalhes sobre o atentado no acampamento em Utøya, sobre possíveis motivações e declarações do principal suspeito. As autoridades disseram apenas que o suposto autor não era, até então, alvo de investigações policiais e que, após ser preso, afirmou estar disposto a colaborar com a polícia.

Alvos relacionados com partido do governo

O motivo dos ataques permanece um mistério, embora ambos os locais alvejados tenham relação com o Partido Trabalhista. O atentado a bomba ocorreu nas proximidades da sede do governo social-democrata. O primeiro-ministro Stoltenberg deveria discursar neste sábado no acampamento da juventude de seu partido, na ilha onde ocorreu o massacre.

O centro da cidade de Oslo, onde a explosão provocou grande destruição, foi interditado por militares na manhã de sábado, para assegurar os trabalhos dos investigadores.

Após a explosão de uma bomba no distrito governamental de Oslo na tarde de sexta-feira, o suposto assassino teria se dirigido, conforme a atual versão da polícia, à ilha de Utøya, a 40 quilômetros de distância. Lá, disfarçado de policial, abriu fogo contra os mais de 500 participantes de um acampamento da juventude do Partido Trabalhista. Sobreviventes afirmaram ao canal de televisão NRK que houve pânico e caos.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Militares interditaram centro de OsloDesesperados, muitos dos adolescentes, com idade entre 14 a 17 anos, saltaram na água para fugir da ilha a nado. O assassino chegou a atirar também contra alguns deles.

Consternação internacional

De acordo com o canal de televisão NRK, o suposto autor dos ataques tem uma pequena empresa de produtos agrícolas, através da qual ele pode ter tido acesso a conhecimentos sobre fabricação de explosivos.

Em uma página na internet considerada crítica ao islamismo, podem ser encontradas opiniões de tendências nacionalistas publicadas sob o nome do suspeito, nas quais o multiculturalismo é considerado “marxismo cultural” e “ideologia antieuropeia de ódio cujo objetivo é destruir a cultura e a identidade europeias e o cristianismo”.

A comunidade internacional se mostrou abalada pelos atentados. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente dos EUA, Barack Obama condenaram os ataques. O presidente alemão, Christian Wulff, enviou um comunicado de pesar ao rei norueguês, Harald V. O governo brasileiro também emitiu uma nota condenando a violência empregada. O premiê britânico, David Cameron, ofereceu ajuda à Noruega, entre outras medidas, através de uma cooperação dos serviços secretos de ambos os países.

MD/dpa/dadp/lusa

Revisão: Nádia Pontes

Enviado em 22 de julho 2001 e publicado em 23/7/2011 7:57, por José Dirceu

Em nome do governo e do povo brasileiros, a presidenta Dilma Rousseff enviou nota de pesar ao primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, diante dos consternadores atentados que, segundo a polícia, mataram ontem 91 pessoas naquele país.

Sete morreram vítimas de bomba que explodiu no prédio do gabinete do chefe do governo em Oslo (outras 15 pessoas ficaram feridas) e 84, pela ação do franco-atirador no acampamento da juventude na ilha de  Utoya.

Vejam a íntegra da nota da chefe do governo brasileiro a seu colega da Noruega:

“Senhor Primeiro-Ministro,

Foi com profunda consternação que recebi a notícia dos atentados ocorridos hoje, 22 de julho, na Noruega.

Gostaria de estender, em nome do governo e do povo brasileiros, nossos sinceros sentimentos de pesar e solidariedade ao Reino da Noruega e às famílias das vítimas.

Mais alta consideração,

Dilma Rousseff

Presidenta da República Federativa do Brasil”

 http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/07/atentado-em-oslo-noruega.html

http://goo.gl/cHeSg /tweeter

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