O ano começou com as revoltas árabes em Tunis e CAiro

Por Vito Giannotti, Brasil De Fato

O ano começou com as revoltas árabes em Tunis e Cairo. Depois, o centro das manifestações passou para Atenas, Madrid, Barcelona, Paris. Agora, continuam as lutas nos países árabes, mas não só. As praças de Santiago do Chile, Londres e Espanha encheram-se de milhares de manifestantes “indignados”. Até em Tel Aviv 300 mil pessoas gritaram contra o desemprego e o fim de antigos benefícios. Em Santiago, o mesmo número de jovens protesta contra a privatização do ensino.

O que levou essas massas enfurecidas a se juntar, incendiar carros e lojas, fazer barricadas sem temer a repressão, que é igual em todos os países? Contra o que protestam nos países árabes? Ditaduras e governos de sultões medievais já os têm há tempo! Na Europa havia muitas ilusões no continente unido ao euro. O que aconteceu nos últimos anos, sobretudo após a crise de 2008 na Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e agora na Inglaterra? O que está acontecendo na adormecida Itália e na sempre agitada França? Se esta pergunta fosse feita há 50 anos seria logo respondida pela maioria da mídia ocidental, manobrada pela CIA: é o comunismo internacional insuflando a revolta. Na década passada, após o 11 de setembro de 2001, o Pentágono iria culpar o terrorismo árabe da Al Qaeda. Hoje, em quem o sistema vai jogar a culpa?

É só ver o que aconteceu em Londres. Desempregados, adultos que perderam o mínimo de proteção social e muitos jovens se rebelaram e queimaram carros, lojas e símbolos do sistema que os oprime. Jovens de várias origens, moradores de bairro cada vez mais iguais às nossas favelas. Jovens que não encontram emprego e viram seus clubes juvenis fechados pelo governo. A escola, cada vez mais privatizada ficou longe deles. Os adultos viram seus direitos previdenciários serem derrubados dia-após dia. Então explode a raiva e o ódio contra a sociedade que condena milhões à miséria enquanto gasta fortunas num casamento de dois bonecos da família real.

Em Atenas, o que leva multidões às ruas? A mesma realidade: o FMI impondo corte da assistência social, piorando as aposentadorias, privatizando todos os serviços e impondo uma política de desemprego generalizada.

Na Espanha, Portugal, Irlanda é a mesma coisa. Na França, o que levou um milhão às ruas? A Reforma da Previdência. É o desemprego e a retirada de direitos que enchem ruas e praças. O nome do grande inimigo que orquestra as rebeliões de hoje é neoliberalismo, que há 30 anos reina absoluto. O resultado: barbárie para milhões e milhões. Precisa-se de muitas Cairo, muitas Londres muitas Santiago. Ou barbárie neoliberal vai continuar.

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