Não dê propina que a corrupção acaba!

Por Sérgio Luís Bertoni

Dados recentes mostram que aumentou o número de servidores expulsos do serviço público federal por envolvimento em atos de corrupção. Em 2011 já ocorreram 328 expulsões, recorde histórico para os períodos de janeiro a julho.

Segundo a Polícia Federal, até agosto de 2011 foram presos 392 corruptores, entre empresários, intermediários e laranjas, sendo que a quantidade de corruptores algemados é mais do que o dobro de servidores detidos (143).

No sistema capitalista há regras claras, as chamadas regras de mercado. Elas são as verdadeiras leis de qualquer país. E como vivemos em um país capitalista, deveríamos saber o que as regras de mercado nos dizem: Só há produto à venda (oferta) quando há procura (demanda).

Relações de compra e venda trazem em si a ideia de troca em busca de vantagens. O tamanho destas vantagens é diretamente proporcional à capacidade de negociação dos agentes nelas envolvidos.

E se a regra básica de um sistema é que tudo é mercadoria, então não há porque se espantar com empresários, cidadãos e políticos transformados em mercadorias. Simplesmente seguem as regras do capitalismo. Ou será que não vivemos em um país capitalista?

No processo de corrupção sempre há dois lados. O lado que compra (corruptor) ou a demanda, em “mercadologuês”, e o que vende (corrupto) ou oferta, na língua do mercado.

Corrupto e corruptor, ambos estão fora da lei. Mas é fácil só culpar só um dos lados, principalmente quanto a caça aos corruptos e corruptores possa representar, note-se bem, possa representar, a caça de um lado que até então estava impune ou aponte para um possível fim no círculo vicioso de mamatas com dinheiro alheio.

Não nos esqueçamos, porém, que quanto mais se combater a corrupção, mais parecerá que ela existe. Quanto mais a escondermos, a jogarmos para debaixo do tapete, mais teremos a sensação de que não há corrupção.

Infelizmente, em toda a história de nosso país houve corrupção, independentemente do partido, raça, cor, credo, opção sexual dos governantes de plantão.

Esquecemos dos espelhinhos? Pois, os espelhos e bugigangas que os portugueses deram aos nativos é o primeiro ato de corrupção registrado na história do Brasil.

A diferença entre os distintos governos está no combate ou não da corrupção. Em alguns poucos governos houve real combate à corrupção. Em outros o estímulo. Em terceiros, encobertamento. Em quartos a repressão à Liberdade de Expressão e ao Livre Debate. Nestes últimos havia corrupção, mas ninguém podia falar nela. Ia pra cadeia, sem julgamento.

O Instituto Ethos tem uma campanha publicitária muito interessante que chama o empresariado a combater a corrupção, sendo ético e deixando de participar de negociatas que terminem em uso indevido do dinheiro público.

Repito. Só há produto a venda, quando há procura. Sem isso o “lojinha” fecha.

Se não aceitarmos dar propinas e pararmos com a prática de querer tirar vantagem em todo e qualquer projeto governamental, os corruptos deixarão de existir.

Provavelmente, nos primeiros momentos será difícil viver do próprio trabalho, do próprio esforço, do próprio empreendedorismo, mas no longo prazo valerá muito a pena e o verdadeiro Custo Brasil será drasticamente reduzido.

Façamos a nossa parte. Não aceitemos negociar com políticos e empresários que nos proponham esquemas que garantam ganhos fáceis através do desvio de dinheiro público ou privado.

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