Concentração de audiência na Internet

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A Plataforma por uma Internet Livre, Inclusiva e Democrática construída colaborativamente por organizações da sociedade civil para as eleições 2011 do CGI.br traz a seguinte proposta “Desenvolvimento de iniciativas voltadas à concretização da pluralidade e diversidade na rede também no que se refere à distribuição e acesso de conteúdos, buscando estimular uma participação mais igualitária com soluções que envolvam inclusão digital e educomunicação”. O que quer dizer isso?

A internet sem sombra de dúvida aumentou a capacidade de produção de conteúdos alternativos e de grupos marginalizados, mas a DISTRIBUIÇÂO e CONSUMO desses conteúdos ainda não acontece de maneira a garantir a diversidade na rede. As pessoas continuam consumindo informações de acordo com a procedência, normalmente vinculadas aos grandes grupos midiáticos tradicionais. É o que eu tenho chamado de informação fast food – aquela que vem com marca, sem personalidade, sem gosto e fácil de digerir.

Na radiodifusão, um dos critérios usados para determinar a concentração de mídia é a audiência. Se usarmos o mesmo critério para internet, vamos verificar que o problema se repete. O consumo de informações na Internet é altamente concentrado. Inclusive, o modelo de negócios dos grandes grupos da internet se repete e se baseia na venda de nossas informações e de nossa audiência, no formato de publicidade comportamental.  As redes sociais rompem um pouco com essa lógica, mas  ainda elas não dão amplitude à voz de quem tradicionalmente foi apartado do processo comunicativo – como demonstrado em pesquisa realizada pela agência JWT.

O que fazer diante dessa situação?

Nada deve impedir o livre fluxo de informações e conteúdos na internet – assim como não proibimos que existam restaurantes fast foods. A questão central não está na disponibilidade de conteúdos, mas na cultura de consumo de informações. Então, a solução para esse problema também nos parece semelhante com a solução da educação alimentar. Fomos educados a vida inteira para ler e “confiar” nas informações fast food. Por isso, a solução passa por práticas educativas, formais e não-formais, que envolvam o estímulo à pluralidade no consumo de informações, inclusão digital e educomunicação.

Vale ressaltar que a pluralidade de idéias é fundamental para a efetivação de outros direitos, conforme a declaração introdutória dos Príncipios Camdem sobre Liberdade de Expressão e Igualdade: “O pluralismo e a diversidade são marcas da liberdade de expressão. A realização do direito à liberdade de expressão possibilita um debate de interesse público vibrante e multifacetado, dando voz a diferentes perspectivas e pontos de vista. A desigualdade resulta na exclusão de certas vozes, comprometendo esse debate. O direito de todos a serem ouvidos, falarem e participarem na vida política, artística e social é, por sua vez, essencial para a obtenção e o exercício da igualdade. Quando participação pública e voz são negadas às pessoas, suas questões, experiências e preocupações passam despercebidas, e elas se tornam mais vulneráveis à intolerância, ao preconceito e à marginalização”. Vozes não ouvidas é o mesmo que não ter voz. Portanto, a preocupação com pluralidade na distribuição e consumo desses conteúdos é essencial para a liberdade de expressão.

Fonte: CGI.br

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