A elite miserável não vê, mas raríssimos doutores possuem a educação de Lula

Artigo sugerido por Nelba Nycz, do MidiaCrucis

Por Urariano Mota

A elite miserável brasileira prefere insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor

Mandou bem, companheiro!

A elite patriarcal brasileira está indignada, enquanto Lula discursa ao ser nomeado doutor honoris causa

No dia em que Lula recebeu o título de doutor honoris causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Ruchard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, deem uma olhada no que escreveu Martín Granovsky,  um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín,  Escravistas contra Lula:

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Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros… Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República’. E chorou.

‘Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?’, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings o observou com atenção antes de responder. ‘As elites não são apenas escolares ou sociais’, disse. ‘Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas’ ”.

Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para  reflexão. A primeira delas é a educação de Lula. Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui. Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já veem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em Minhas Universidades, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.

Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto. Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais? Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo? Não, não sabem e nem veem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores. Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso:   

“Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo.  O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: ‘O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?’… E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!… Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!’  

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O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto. Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande….Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.

O povo espera que não demore vir abaixo.

Fonte: Blog Pragmatismo Político

Nota desta Redação:

Na verdade, a elite entende muito bem o papel de Lula e se beneficiou muito das políticas sociais implementadas em seu governo. Porém, diferentemente de parte da esquerda e do povo trabalhador, a direita se mantém coerente à sua ideologia, à sua classe social, ao seu papel de dominadora e defende seu status-quo com unhas, dentes e armas se preciso for.  A elite jamais poderá aceitar o “mau” exemplo dado por Lula.

Já imaginaram se todo e qualquer um dos 191 milhões de brasileiros entender que não precisa de patrões, nem de chefes a lhe comandar  e a pisar-lhe a cabeça?

Imaginem se estes 191 milhões entendem que podem se autogovernar e mandar em seus destinos?

É o fim da elite!!!

Nestes episódios, como o relatado acima, o que dá raiva mesmo são estes jornalistas, empregados explorados, submissos e colonizados que fazem perguntas a mando do patrão, daquele que lhes pisa a cabeça e, ao qual,  ainda chamam de colega. É dessa gentinha aspirante a dominador, mas que nunca sairá da aspirantura, dessa classe mérdia, que dá raiva, pois são os que fazem o trabalho sujo, espalham a merda e degradam a imagem do Brasil e de seu povo no mundo inteiro.

A elite está na dela, de boa, pois tem um monte de serviçais que se acham inteligentes e independentes fazendo o que o patrão manda.

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