Depois de torturadores, apoiadores da ditadura são alvos de protesto em São Paulo

Depois dos assassinos e torturadores, agora é a vez dos apoiadores do golpe civil-militar de 1964 serem alvos de protestos.

Passando por jornais, empresas e lugares simbólicos do apoio civil à ditadura, o Cordão da Mentira irá desfilar pelo centro da cidade de São Paulo para apontar quais foram os atores civis que se uniram aos militares durante os anos de chumbo.

Os organizadores –coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas da capital– afirmam ter escolhido o 1º de abril, Dia da Mentira e aniversário de 48 anos do golpe, para discutir a questão “de modo bem-humorado e radical”.

Ao longo do trajeto, os manifestantes cantarão sambas e marchinhas de autoria própria e realizarão intervenções artísticas que, segundo eles, pretendem colocar a pergunta: “Quando vai acabar a ditadura civil-militar?”.

TRAJETO (confira resumo, no fim do texto)

A concentração acontecerá às 11h30, em frente ao cemitério da Consolação.

Em seguida, o cordão passará pela rua Maria Antônia, onde estudantes da Universidade Mackenzie, dentre eles integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), entraram em confronto com alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Um estudante secundarista morreu.

Dali, os foliões-manifestantes seguem para a sede da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o exército para se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”.

Depois de passar pelo Elevado Costa e Silva –que leva o nome do presidente em cujo governo foi editado o AI-5, o mais duro dos Atos Institucionais da ditadura– o bloco seguirá pela alameda Barão de Limeira, onde está a sede do jornal Folha de S.Paulo. Segundo Beatriz Kushnir, doutora em história social pela Unicamp, a Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de “maior tiragem” do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de “tiras”, agentes da repressão.

A ação da polícia na Cracolândia, símbolo da continuidade das políticas repressivas no período pós-ditadura, bem como o Projeto Nova Luz, realizado pela Prefeitura de São Paulo, serão alvos dos protestos durante a passagem do cordão pela rua Helvétia.

Finalmente, será na antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), na rua General Osório, que o Cordão da Mentira morrerá.

CORDÃO DA MENTIRA

Quando: Domingo, 1º de abril de 2012, a partir das 11h30

Onde: concentração no Cemitério da Consolação

TRAJETO

R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia

Av. Higienópolis – sede da TFP

R. Martim Francisco

R. Jaguaribe

R. Fortunato

R. Frederico Abranches

Parada no Largo da Santa Cecília

R. Ana Cintra – Elevado Costa e Silva

R. Barão de Campinas

R. Glete

R. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo

R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz

R. Mauá

Dispersão: R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do Dops

2 Comentários to “Depois de torturadores, apoiadores da ditadura são alvos de protesto em São Paulo”

  1. Todos nós só queremos a democracia e respeito às suas bases, por isso criticamos ações irresponsáveis como essa de estudantes fazendo justiça com as próprias mãos. Só isso. Como você se sentiria, caro estudante, no lugar de uma filha, que não tem nada a ver como o passado de um pai, que está sendo julgado a revelia da lei, ao ver a sua casa pichada, o que poderia também motivar outros crimes, como ocorreu naquela creche de São Paulo, cujos donos foram depois inocentados pela justiça. Também essa violência contra velhinhos no Rio que foram assistir palestras, constrangendo-os com graves ofensas. Uma rebelde mostra suas cicatrizes por ter sido imprudente e enfrentado a polícia (um policial tem que manter a ordem diante de violência, como se faz em todo o mundo, se preciso for usar arma não letal). Como reparar isso. Não é tão simples as suas rebeldias, moça de olhos tristes e garotão irresponsável que bateu num idoso.

    • E como será que se sentem os filhos, esposos, esposas, pais, mães, parentes, enfim, e amigos daquelas pessoas que estão desaparecidas ou foram mortas e torturadas por estes senhores que hoje vivem tranquilamente???

      Por que nos solidarizamos com filhos de torturadores, infratores da lei, que desrespeitaram a Constituição e as instituições do país?

      Por que criticar jovens que tem coragem de denunciar algo que os algozes da democracia tentam esconder a todo custo?

      Por que esquecer a dor das famílias que tiveram seus entes queridos mortos, torturados ou desaparecidos?

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