Posts tagged ‘Golpe de Estado’

26/06/2012

Reunião para criar Comitê de Solidariedade ao Povo Paraguaio em Curitiba é na quarta, 27/06!

De TIE-Brasil

Camarad@s,

Convidamos entidades sociais, sindicais, estudantis e organizações políticas para formar o Comitê de Solidariedade ao Povo Paraguaio em Curitiba.

Rechaçamos o golpe de Estado contra Fernando Lugo no Paraguai.

Infelizmente, um espectro ronda novamente a América do Sul: o
risco dos golpes de Estados. Não são golpes de Estado parecidos com aqueles da década de 60 e 70, pois não buscam implementar uma ditadura militar estrito senso. A novidade dos novos golpes de Estado na região são “golpes de Estado democráticos” que, por mais que tenha um conteúdo golpista, são envoltos pelo véu retórico da democracia liberal. Honduras deu início a este novo ciclo, por mais que anteriormente tenham existido outras tentativas na região, como na Bolívia (2008), Equador (2010) e Venezuela (2002).

Agora o “golpe de Estado parlamentar” desferido contra o governo de Fernando Lugo é um sinal de alerta para as democracias e governos da América do Sul.

A direita usa do cinismo para argumentar sobre o golpe no Paraguai. Ela sabe que é um golpe, mas age como se fosse um ato constitucional, legal e legítimo. Para a nós isso não pode ser negociável: É um golpe de Estado! É completamente inconstitucional! Não foi um ato legal! Não é legítimo! É um verdadeiro golpe de Estado e precisa ser combatido! O Paraguai se tornou um Estado ilegal, fruto de um golpe de Estado, e assim deve ter tratado pela comunidade no Cone Sul, da América Latina e do mundo.

O golpe de Estado express no Paraguai é muito perigoso. É um precedente para toda a região. Com esse golpe, somos obrigados a lembrar que os inimigos do povo continuam ativos e que não tem compromisso algum com a democracia na região.

É um momento em que toda a América deve se mobilizar defesa do povo paraguaio. É preciso acabar com os velhos hábitos golpistas, a velha cultura golpista, as velhas idéias golpistas e os velhos costumes golpistas.

Mas o golpismo não será vencido apenas com palavras. É preciso resistir!

Convocamos todos a se levantar contra o Golpe no Paraguai!

Somos um contra o golpe!

Pela restituição da democracia e em solidariedade ao povo paraguaio, convocamos:

Reunião do Comitê de Solidariedade ao Povo Paraguaio – Curitiba

Local: Edifício Tijucas, 6º andar, conj. 623, Boca Maldita. Escritório do
Brasil de Fato.

Quando: Quarta-feira, 27/04 – 19 horas

24/06/2012

Ato contra golpe de estado no Paraguai

09/09/2011

O outro 11 de setembro

Devemos, também, analisar o 11 de setembro de 1973, quando um golpe militar derrubou o governo da Unidade Popular chilena

A velha imprensa vem dedicando grande espaço para falar do 11 de setembro de 2001, quando ocorreu o ataque contra as torres do World Trade Center, em Nova Iorque.

Nós da esquerda devemos analisar aqueles fatos e suas repercussões.

Mas devemos, também, analisar o 11 de setembro de 1973, quando um golpe militar derrubou o governo da Unidade Popular chilena.

Hoje, em diferentes países da América Latina, as forças de esquerda enfrentam dilemas estratégicos parecidos com aqueles enfrentados pela “via chilena para o socialismo”.

Por exemplo:

1. Os Estados Unidos (e seus aliados) continuam se opondo a governos que busquem democracia, bem-estar social, soberania nacional e integração da região. E não têm compromisso efetivo com a legalidade institucional e eleitoral, nem tampouco com a soberania e autodeterminação dos povos;

2. A grande burguesia segue alérgica a pagar os “custos sociais” de uma elevação constante na qualidade de vida do povo. E, por isto mesmo, está sempre disposta a financiar e participar de movimentos oposicionistas, desestabilizadores e golpistas;

3. As camadas médias seguem tratadas como massa de manobra, ideológica, social, política e eleitoral, dos setores conservadores. Os que têm algo a perder, mesmo que seja relativamente pouco, são mobilizados contra os que têm menos ainda, em defesa dos que têm muito mais do que necessitam;

4. As forças armadas e a alta burocracia estatal não são neutras. Sua origem social, seu processo de seleção, treinamento e funcionamento resultam num comportamento geneticamente conservador;

5. Na política, a indústria de cultura e comunicação equivale ao papel da indústria de armamentos para a guerra. O controle das televisões, rádios, jornais, revistas, editoras de livros, provedores e sítios eletrônicos ajuda na mobilização de hoje e forja as mentes de amanhã;

6. Não adianta pintar-se de ouro. Mesmo que a esquerda abra mão, na teoria e na prática, do socialismo e da revolução, ainda assim a direita vai enxergar intenções comunistas por trás de cada política compensatória. E agirá conforme esta visão;

7. A Europa demonstrou que não é possível a coexistência de longo prazo entre capitalismo, bem-estar social, democracia e paz. Na América Latina, os limites da social-democracia e do reformismo são ainda maiores;

8. É decisivo não confundir estratégia com tática, assim como medir a correlação de forças faz toda a diferença. Mas correlação de forças não é pretexto para a imobilidade. Correlação se altera. E se não a alteramos em nosso favor, eles a alteram em favor deles.

A “via chilena” não desembocou no socialismo. E, até hoje pelo menos, não conseguimos construir uma “via eleitoral” para sair do capitalismo.

Por outro lado, a combinação entre luta ideológica, mobilização social, auto-organização das classes trabalhadoras e disputa eleitoral produziu uma situação política inédita na América Latina e em muitos dos países da região.

E isto está ocorrendo numa situação internacional também inédita: ampla hegemonia das relações capitalistas e, por isto mesmo, uma brutal crise do capitalismo neoliberal.

Nessas condições, a América Latina pode ser não apenas território de resistência ou de um capitalismo não-neoliberal. Pode ser, também, espaço de construção de uma alternativa ao capitalismo.

Motivos de sobra para estudar e aprender com a experiência da Unidade Popular chilena.

Valter Pomar é dirigente nacional do PT e secretário executivo do Foro de São Paulo

Texto publicado no blog http://valterpomar.blogspot.com/

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