Archive for setembro, 2011

30/09/2011

CUT convida sindicalistas a participar do I Encontro Mundial de Blogueir@s

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São Paulo, 29 de setembro de 2011

Às Estaduais da CUT, Ôrganicas, Federações e Entidades Sindicais Filiadas

Participação da CUT no 1º Encontro Mundial de Blogueiros

Prezad@s companheir@s,

Entre os dias 27 e 29 de outubro a cidade paranaense de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, sediará o 1º Encontro Mundial de Blogueiros com o tema “O papel das novas mídias na construção da democracia”.

Para o movimento sindical cutista, o evento será uma oportunidade ímpar de darmos visibilidade às nossas pautas do mundo do trabalho, ao mesmo tempo em que estreitamos laços de solidariedade entre ativistas digitais.

O encontro contará com a participação de vários nomes de peso, como Ignácio Ramonet (Le Monde Diplomatique), Kristinn Hrafnsson (WikiLeaks), Pascual Serrano (Rebelion) e Any Goodman (Democracy Now), que em boa medida têm sido porta-vozes da contestação a uma ordem mundial ditada pela globalização neoliberal.

Ao contribuir para a troca de experiências e potencializar uma comunicação que tem se afirmado como alternativa inclusiva e colaborativa, em contraponto às manipulações da mídia hegemônica, o evento será um passo importante na caminhada rumo à construção de um país efetivamente democrático e de um planeta menos desigual.

Diante da relevância do encontro, que está sendo organizado pela Associação Brasileira de Empreendedores da Comunicação (Altercom) e pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, com apoio institucional da empresa Itaipu Binacional, solicitamos que o conjunto das entidades aproveitem a oportunidade e participem.

Mais informações e inscrições: http://www.baraodeitarare.org.br/noticias/50666.html

Quintino Severo
Secretário Geral

Rosane Bertotti
Secretária de Comunicação

30/09/2011

Sciences Po: Íntegra do Discurso de Richard Descoing

Artigo sugerido por Nelba Nycz, do midiacrucis

 O Instituto de Estudos Políticos de Paris – Sciences Po – acaba de divulgar, na íntegra, o vídeo da cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento ocorreu na capital francesa na última terça-feira (27).

Confira, abaixo a tradução feita pelo Instituto Lula dos discursos de Richard Descoing e de Jean-Claude Casanova, que falaram antes de Lula:

Richard Descoing
Diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris

Vossa Excelência, bem vindo à Sciences Po. É um prazer estar aqui com você.

Senhor presidente da República, senhor presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, senhor primeiro-ministro, senhores ministros, senhoras e senhores embaixadores, professores da Sciences Po, senhoras e senhores alunos da Sciences Po,

Meu português, e particularmente meu português brasileiro, não é bom. Senhor presidente, me permita não continuar meu discurso em português. Creia que eu fico chateado, neste evento em que tantos jovens alunos hoje estão aqui, notadamente aqueles que se locomoveram do nosso campus em Poitiers, especialmente pelo senhor. Eles ensinam a “paixão”, o português, o espanhol, o francês, mesmo o inglês e algumas outras línguas do nosso mundo.

O senhor compreendeu, senhor presidente, pela recepção que lhe foi reservada no Grande Hall histórico de Sciences Po, além do anfiteatro que leva o nome do fundador da Sciences Po, o quanto nós somos entusiastas e imensamente honrados que você tenha aceitado receber do corpo docente da Sciences Po o título de Doutor Honoris Causa que lhe entregará nosso presidente, senhor Casanova, em breve, assim que ele pronunciar seu “Elogio”.

Acompanhem-me sobre algumas palavras a respeito do nome. Quero lhes dizer – eu espero, em nome da grande parte dos que estão aqui esta noite – como nos sentimos de compartilhar com os senhores e com o país ao qual pertencem, seus valores que não abrem mão de defender. Começo por um valor que é caro à Sciences Po, que é caro ao seu país e que eu devo crer que é caro igualmente a muitos países no mundo que compreendem este que vos recebe esta noite. Eu lhes falo de mestiçagem.

Cremos profundamente na Sciences Po no extraordinário enriquecimento que representa a mestiçagem de culturas, de educação, de nacionalidades, de paixões – das quais falei agora há pouco – mestiçagem e confrontação de ideias. Aqui, em uma instituição de ensino superior e de pesquisa, nós temos opiniões definitivas sobre tudo e todo assunto. Se não formos inspirados a todo momento pelos trabalhos científicos de outros membros, de outros corpos docentes, por todo o mundo, nosso pensamento será mais pobre. É a mestiçagem deste pensamento que nos enriquece, mas também a confrontação, nós estamos em um país, em uma universidade que crê no debate.

A Sciences Po foi criada por humanistas que estiveram confrontados a outros pensamentos, de homens e mulheres – na época mais por homens, é preciso dizer – que eram convencidos que todos os valores não são comparáveis, mas que o que faz a força de uma democracia liberal é a confrontação, é a disputa, é o debate, que não termina necessariamente em consenso, mas que ao menos dá a cada uma e a cada um a possibilidade de se exprimir e de defender as ideias que ela ou ele decidem se engajar, seja em empresas, na administração pública, nas instituições internacionais, organizações não-governamentais e, claro senhor presidente, na política.

Eu percebo aqui e no seu país a crítica aos políticos. Eu gostaria de dizer muito solenemente de minha imensa admiração pelos que se lançam sem grande esperança de fortuna, algumas vezes na expectativa de sucesso, na defesa de suas ideias, de seus valores, para fazer ganhar um espaço na história de sua sociedade, fazer ganhar sua convicção e receber de seu povo a honra de ter sucesso no governo.

A mestiçagem, das ideias, da cultura, de nação, assim como estamos fazendo na União Europeia, e ao mesmo tempo a confrontação intelectual, a disputa, e a aceitação de que certos valores devem se sobressair sobre outros. Esse é um primeiro ponto que pode explicar a decisão unânime de entregar ao senhor o título de Doutorado Honoris Causa.

Mas não é a única. A segunda razão – não irei além de três – é a luta que fez contra as desigualdades. Claro que quando lutamos contra as desigualdades, não temos sucesso totalmente, nem definitivamente. Aí, alguns se aproveitam pra dizer que tudo é impossível, nada é desejável, necessário, nem possível de começar. Nós cremos, na Sciences Po, que a luta contra as desigualdades, mesmo aquelas difíceis e perenes, é um valor que motiva nós todos da comunidade acadêmica. Eu creio que o senhor representa aqueles que pensam, não apenas no seu país, que não podemos nos satisfazer às desigualdades persistentes e acentuadas. E sabemos como é efetivamente difícil dar maior igualdade de oportunidade.

O terceiro valor é formidavelmente representado em frente a vocês esta noite. É a curiosidade intelectual infinita e a vontade infinita de conhecer o mundo em que estamos. Você lutou para que o Brasil acessasse um status internacional – nossos professores costumam dizer – como jamais sem dúvida alcançou, claro que com ajuda do seu predecessor e em seguida de sua sucessora, para que o Brasil tenha um impacto considerável nas questões do mundo.

Hoje não é mais possível tratar de um assunto sem que os brasileiros sejam consultados. Melhor ainda, você conquistou que as relações se multiplicassem entre os países do sul, de uma maneira que a Europa passa a compreender que a abertura, por exemplo, de suas fronteiras agrícolas não será danosa aos camponeses europeus. Não pensamos mais o mundo unicamente na oposição entre o mundo de industrialização antiga (espero que não seja de prosperidade antiga, espero estar errado em dizer isto) e o mundo emergente, que deve muito à Europa e à Àfrica. Por isso nós abrimos, depois de dezenas de anos, um campus fora de Paris com estudantes que vêm do mundo todo. Cremos, neste novo ano escolar, em um novo contato entre estudantes europeus e africanos, e optamos que os estudantes desta nova formação possam representar diversos estados africanos, e que possam vir da Europa e de outros países.

Gostaríamos profundamente e concretamente, através dos jovens que estão aqui hoje, de constituir esse mundo de cidadania e de regulação mundial, que sabemos ser complicada, conflituosa, mas que pode avançar mais rápido do que pensamos na Europa graças à imensa energia de jovens de várias gerações, e aos jovens que aqui estão hoje, para lhe dizer da nossa admiração, nosso respeito e a imensa felicidade de lhe incluir ao nosso corpo docente. Eu agradeço ao senhor.


Jean-Claude Casanova
Presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas

Senhor presidente, senhor secretário-geral do ministério das Relações Exteriores, senhores embaixadores, caro diretor e amigo, caros colegas, senhoras e senhores,

Lá se vai exatamente um século desde que um grande escritor francês – muito conhecido na época, menos conhecido hoje em dia – que tem o belo nome de Anatole France, se rendeu ao Brasil e foi recebido pela academia de seu país.

Evocou sentimentos republicanos que defendia, e estimulava os brasileiros. E a Republica brasileira foi proclamada no mesmo quarto de século que a República francesa. Ele lembrou Gambetta, Litré, e sobretudo Jules Ferry como discípulos de Auguste Conte, os positivistas. Ele definiu o positivismo pela imparcialidade, pela pesquisa da lógica na preparação e de conclusões unicamente fundadas na experiência, e reconhecia que esta doutrina, esta religião, nasceu na França e foi passada como se passam todas as outras.

No Rio de Janeiro, ele constatou que no Brasil o positivismo recebeu as adesões mais sólidas, e escreveram na sua bandeira “Ordem e Progresso”, máxima que deve ser depurada para deduzir sua humanidade, o amor por princípios. Ordem como base, progresso como objetivo, fórmula que deve ser agregada a: saber para prever a fim de poder, induzir para deduzir a fim de construir, o homem de mais a mais não precisará se subordinar à humanidade.

Fórmula que parece ainda ditar as ações e a alma do seu país, o positivismo prefere a indústria à guerra, a solidariedade à luta, respeita a independência dos sábios, reserva apenas a polidez às autoridades para mostrar admiração, eleva os proletários ao mesmo status de engenheiros, a força dos homens à doce diplomacia das mulheres. Nos ideais de Comte encontramos a esperança e a generosidade.

Como francês e europeu, não posso me esquecer do telegrama enviado pelos positivistas do Brasil em 1914 pedindo que franceses e outros povos – que Comte chamava de Repúblicas Ocidentais –não entrassem em guerra, além de alertar sobre o risco da presença catastrófica do retardo da propaganda positivista em Paris. Em setembro de 1914, os mesmos brasileiros alertam sobre a catástrofe que estava por vir na Europa, especialmente nestas repúblicas ocidentais. O telegrama resta sem resposta ao seu país, e me dá um sentimento de deferência. Deferência dos que devem aos filhos aqueles que erraram, ao passo daqueles que vislumbraram a justiça e deram conselhos desinteressados que não foram seguidos.

Deste Brasil tão próximo do ideal e tão longe de nós, o senhor é, presidente, uma das melhores encarnações. Assim que esta casa foi criada, os que foram os inspiradores pensaram que não podem dissociar a política do exercício do poder, como experiência, e a reflexão sobre a política. Assim homens políticos e teóricos estudaram nesta escola, desde o seu início. É natural que o saudemos como Doutor da Política , um homem que provou sua ciência por sua ação, que testemunhou por seu próprio mérito, e que a ensina pela história de seu sucesso.

Permita-me retornar a 1945, ano que o senhor nasceu, na sequência da guerra que o Brasil lutou do lado da democracia. A desconfiança inglesa e o impedimento soviético coibiram a proposta de incluir o Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. O senhor nasceu em uma família de oito crianças educadas por sua mãe. O mesmo Auguste Comte diria que renunciássemos à palavra “pátria”, e que substituíssemos pela palavra “mátria”. Trabalhador metalúrgico, tornou-se líder sindical, fundou o PT, confrontando com nobreza e coragem por 22 anos as lutas eleitorais, foi eleito em 2002 à presidência da República Federativa do Brasil. Auguste Comte não amava os doutores e os diplomados, e no triunfo dos proletários ele teria visto um evento digno de comemoração. O senhor é o 36o presidente do Brasil, mas o primeiro vindo do povo sem graduação ou título universitário. Sua eleição se constitui uma inovação inesperada, a ascensão da igualdade em uma sociedade desigual.

É difícil ser eleito, é mais difícil ser reeleito, isto que o senhor fez em 2006 com mais de 60% dos votos. É ainda mais difícil de merecê-lo. No curso de seus dois mandatos, 35 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema e a classe média se tornou majoritária no seu país. Quinze milhões de empregos foram criados, e o poder de compra das famílias cresceu muito. No fim do seu segundo mandato, você tinha mais de 80% de opiniões favoráveis, e cedeu seu lugar à candidata que havia apoiado, a senhora Dilma Roussef. Não conhecemos na Europa trajetória politica tão luminosa e virtuosa.

O seu trabalho justifica o seu renome, e seu renome justifica nossa vontade de lhe entregar o Doutor Honoris Causa. Do seu trabalho, destaco as ideias de economia mais próspera, de uma sociedade mais justa e mais educada, e de um Brasil mais presente no mundo. O periódico que é conhecido por não ser complacente, a revista inglesa The Economist, disse sobre o senhor “Finally, Brazil takes off” (Finalmente, Brasil decola). É uma metáfora conhecida dos economistas, e quer dizer que o crescimento médio no seu mandato foi em torno de 4% por ano, a dívida publica foi reduzida em 20% e corresponde hoje a 43% do PIB, e as reservas foram multiplicadas por sete. Espero que você aproveite sua viagem à Europa para dar alguns conselhos aos nossos governantes.

Uma sociedade mais justa e melhor educada, com menores desigualdades, favorecendo todas as formas de acordos salariais. Desenvolveu, pelos programas sociais, uma larga distribuição que fez com que a classe média represente hoje 53% da população do Brasil. Você quis que as universidades fossem mais numerosas e mais dotadas. Em 2003, havia 9% dos brasileiros estudando no ensino superior. Na sua saída, eram 14%. Você criou 14 novas universidades federais e dobrou o numero de estudantes que estudavam através de bolsas. Por fim, você deliberou politicas de ações afirmativas, o que chamamos aqui de “discriminação positiva”.

O lugar do Brasil no mundo foi afirmado e o Brasil se transformou em um dos atores principais da cena internacional, a principal potência da América Latina e uma das principais potências do planeta. Você favoreceu a integração econômica do Sul face aos Estados Unidos, com um papel considerável nas negociações comerciais, ambientais e financeiras no mundo. Vocês não se tornaram, apesar de seus esforços, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – alguém que pode dizer “não”. Auguste Comte preferia as mulheres e os proletários aos homens e diplomados porque pensava ter mais valor dizer “sim” ao progresso e à paz.

Por todas estas razões, além de outras razões conhecidas, nosso Conselho decidiu conceder ao senhor o título de Doutor Honoris Causa da nossa Sciences Po. Estou encarregado de dizer ao senhor da nossa deferente admiração e peço que aceite este título, certamente inútil à sua gloria, mas que nos honrará e que nos permitirá dizer que, graças a homens como o senhor, a política pode ser respeitada e ensinada.

30/09/2011

Lula em Paris: A imprensa colonizada sabuja dá vexame

Artigo Sugerido por Cido Araújo, do BlogProgSP

lula paris Lula em Paris: imprensa sabuja dá vexame
Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?

Começa assim, acreditem, com esta pergunta indecorosa, a entrevista de Deborah Berlinck, correspondente de “O Globo” em Paris, com Richard Descoings, diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences- Po, que entregou o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula, na tarde desta terça-feira.

Resposta de Descoings:

“O antigo presidente merecia e, como universitário, era considerado um grande acadêmico (…) O presidente Lula fez uma carreira política de alto nível, que mudou muito o país e, radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo. O Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo superior. Isso nos pareceu totalmente em linha com a nossa política atual no Sciences- Po, a de que o mérito pessoal não deve vir somente do diploma universitário. Na França, temos uma sociedade de castas. E o que distingue a casta é o diploma. O presidente Lula demonstrou que é possível ser um bom presidente, sem passar pela universidade”.

A entrevista completa de Berlinck com Descoings foi publicada no portal de “O Globo” às 22h56 do dia 22/9. Mas a história completa do vexame que a imprensa nativa sabuja deu estes dias, inconformada por Lula ter sido o primeiro latino-americano a receber este título, que só foi outorgado a 16 personalidades mundiais em 140 anos de história da instituição, foi contada por um jornalista argentino, Martin Granovsky, no jornal Página 12.

Tomei emprestada de Mino Carta a expressão imprensa sabuja porque é a que melhor qualifica o que aconteceu na cobertura do sétimo e mais importante título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu este ano. Sabujo, segundo as definições encontradas no Dicionário Informal, significa servil, bajulador, adulador, baba-ovo, lambe-cu, lambe-botas, capacho.

Sob o título “Escravocratas contra Lula”, Granovsky relata o que aconteceu durante uma exposição feita na véspera pelo diretor Richard Descoings para explicar as razões da iniciativa do Science- Po de entregar o título ao ex-presidente brasileiro.

“Naturalmente, para escutar Descoings, foram chamados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático (…). Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado(…).

“Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção”, foi a pergunta seguinte. O professor sorriu e disse: “Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o julgamento da História este assunto e outros muito importantes, como a eletrificação das favelas em todo o Brasil e as políticas sociais” (…). Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente, não damos lições de moral a outros países.

“Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da ação afirmativa do Sciences Po. Descoings o observou com atenção, antes de responder. “As elites não são apenas escolares ou sociais, disse. “Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro-mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.

No final do artigo, o jornalista argentino Martin Granovsky escreve para vergonha dos jornalistas brasileiros:

“Em meio a esta discussão, Lula chegará à França. Convém que saiba que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato. No Brasil, a Casa Grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terra e escravos. Assim, Lula, silêncio por favor. Os da Casa Grande estão irritados”.

Desde que Lula passou o cargo de presidente da República para Dilma Rousseff há nove meses, a nossa grande imprensa tenta jogar um contra o outro e procura detonar a imagem do seu governo, que chegou ao final dos oito anos com índices de aprovação acima de 80%.

Como até agora não conseguiram uma coisa nem outra, tentam apagar Lula do mapa. O melhor exemplo foi dado hoje pelo maior jornal do país, a “Folha de S. Paulo”, que não encontrou espaço na sua edição de 74 páginas para publicar uma mísera linha sobre o importante título outorgado a Lula pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Em compensação, encontrou espaço para publicar uma simpática foto de Marina Silva ao lado de Fernando Henrique Cardoso, em importante evento do instituto do mesmo nome, com este texto-legenda:

“AFAGOS – FHC e Marina em debate sobre Código Florestal no instituto do ex-presidente; o tucano creditou ao fascínio que Marina gera o fato de o auditório estar lotado”.

Assim como decisões da Justiça, criterios editoriais não se discute, claro.

Enquanto isso, em Paris, segundo relato publicado no portal de “O Globo” pela correspondente Deborah Berlinck, às 16h37, ficamos sabendo que:

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com festa no Instituto de Estudos Políticos de Paris – o Sciences- Po _, na França, para receber mais um título de doutor honoris causa, nesta terça-feira. Tratado como uma estrela desde sua entrada na instituição, ele foi cercado por estudantes e, aos gritos, foi saudado. Antes de chegar à sala de homenagem, em um corredor, Lula ouviu, dos franceses, a música de Geraldo Vandré, “para não dizer que eu não falei das flores.

“A sala do instituto onde ocorreu a cerimônia tinha capacidade para 500 pessoas, mas muitos estudantes ficaram do lado de fora. O diretor da universidade, Richard Descoings, abriu a cerimônia explicando que a escolha do ex-presidente tinha sido feita por unanimidade”.

Em seu discurso de agradecimento, Lula disse:

“Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tinha diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, e isso possivelmente porque eu quisesse que parte dos filhos dos brasileiros tivesse a oportunidade que eu não tive”.

Para certos brasileiros, certamente deve ser duro ouvir estas coisas. É melhor nem ficar sabendo.

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2011/09/28/lula-em-paris-imprensa-sabuja-da-vexame/

30/09/2011

A elite miserável não vê, mas raríssimos doutores possuem a educação de Lula

Artigo sugerido por Nelba Nycz, do MidiaCrucis

Por Urariano Mota

A elite miserável brasileira prefere insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor

Mandou bem, companheiro!

A elite patriarcal brasileira está indignada, enquanto Lula discursa ao ser nomeado doutor honoris causa

No dia em que Lula recebeu o título de doutor honoris causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Ruchard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, deem uma olhada no que escreveu Martín Granovsky,  um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín,  Escravistas contra Lula:

Leia também:

Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros… Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República’. E chorou.

‘Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?’, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings o observou com atenção antes de responder. ‘As elites não são apenas escolares ou sociais’, disse. ‘Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas’ ”.

Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para  reflexão. A primeira delas é a educação de Lula. Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui. Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já veem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em Minhas Universidades, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.

Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto. Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais? Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo? Não, não sabem e nem veem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores. Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso:   

“Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo.  O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: ‘O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?’… E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!… Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!’  

Leia mais:

O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto. Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande….Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.

O povo espera que não demore vir abaixo.

Fonte: Blog Pragmatismo Político

Nota desta Redação:

Na verdade, a elite entende muito bem o papel de Lula e se beneficiou muito das políticas sociais implementadas em seu governo. Porém, diferentemente de parte da esquerda e do povo trabalhador, a direita se mantém coerente à sua ideologia, à sua classe social, ao seu papel de dominadora e defende seu status-quo com unhas, dentes e armas se preciso for.  A elite jamais poderá aceitar o “mau” exemplo dado por Lula.

Já imaginaram se todo e qualquer um dos 191 milhões de brasileiros entender que não precisa de patrões, nem de chefes a lhe comandar  e a pisar-lhe a cabeça?

Imaginem se estes 191 milhões entendem que podem se autogovernar e mandar em seus destinos?

É o fim da elite!!!

Nestes episódios, como o relatado acima, o que dá raiva mesmo são estes jornalistas, empregados explorados, submissos e colonizados que fazem perguntas a mando do patrão, daquele que lhes pisa a cabeça e, ao qual,  ainda chamam de colega. É dessa gentinha aspirante a dominador, mas que nunca sairá da aspirantura, dessa classe mérdia, que dá raiva, pois são os que fazem o trabalho sujo, espalham a merda e degradam a imagem do Brasil e de seu povo no mundo inteiro.

A elite está na dela, de boa, pois tem um monte de serviçais que se acham inteligentes e independentes fazendo o que o patrão manda.

29/09/2011

Quando um singelo desenho fala mais que 1000 discursos

do Facebook de Edson Leonardo Pilatti

29/09/2011

Uma política de pensamento para a Era da Internet? O perigoso culto pró “Guardian”

Por Jonathan Cook,CounterpunchJonathan_Cook2.jpg
A Thought Police for the Age – The Dangerous Cult of the “Guardian”
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Não há melhor prova da revolução que a internet está fazendo, oferecendo acesso à melhor informação e a comentários-interpretações bem informados, que a reação da imprensa-empresa da “mídia” dominante.

Pela primeira vez, públicos ocidentais – ou, pelo menos, os que podem comprar computadores – encontram meios para escapar à vigilância dos cães de guarda de nossas infelizes democracias “midiáticas”. Dados que em outros tempos foram mantidos cuidadosamente secretos podem hoje ser lidos e pesquisados por gente que não é paga para não deixar ver a hipocrisia ocidental. Wikileaks, sobretudo, rapidamente demoliu os sistemas hierárquicos tradicionais de distribuir informação.

A imprensa – pelo menos o componente de esquerda que se supõe que haja na imprensa – deveria estar comemorando essa revolução; deveria, também, é claro, estar trabalhando para viabilizar essas novas conquistas. Mas, não. Praticamente todas as empresas de comunicação e jornalismo trabalham só para cooptar as conquistas, para domá-las ou subvertê-las. Como se pode ver, jornalistas e colunistas considerados progressistas cada vez mais usam suas plataformas na imprensa dominante para desacreditar e ridicularizar os arautos dos novos tempos.

Bom objeto de estudo, quanto a isso, é o jornal britânico Guardian, considerado o jornal mais decididamente à esquerda da Grã-Bretanha, que rapidamente vai ganhando status e culto de “jornal cult” nos EUA, onde muitos leitores tendem a assumir que, naquelas páginas, encontrarão a mais límpida verdade, em amostra de todo o campo do pensamento crítico de esquerda.

É verdade que o Guardian oferece bom material de reportagem e, vez ou outra, algum comentário mais aprofundado. Talvez por estar mais longe do coração do império, o jornal ofereça antídoto parcial à cobertura acovardada da imprensa-empresa nos EUA.

Mesmo assim, nada aconselha crer que o Guardian seria algum tipo de livre mercado para ideias progressistas ou para os dissidentes de esquerda. Aliás, longe disso: o jornal policia rigorosamente o que se pode e não se pode dizer em suas páginas, por razões bem pouco nobres, como examinamos adiante.

Até há pouco tempo, os leitores ainda podiam viver na confortável ignorância de que vários autores e pensadores, interessantes ou provocadores, são, sim, terminantemente proibidos para citação ou menção nas páginas do Guardian. Antes das versões online, o Guardian ainda podia alegar as dificuldades de espaço, para não incluir mais amplo espectro de vozes. Esse motivo, é claro, desapareceu, com o crescimento da Internet.

Desde o primeiro momento, o Guardian viu tanto o potencial de crescimento quanto a potencial ameaça que lhe vieram com a revolução da Internet. Respondeu com a criação de um blog aparentemente aberto a todos (Comment is Free), no qual contava domesticar parte da energia bruta liberada pela internet. Arregimentou um exército de escritores, ativistas e propagandistas, a maioria sem qualquer remuneração, dos dois lados do Atlântico, para ajudar a reposicionar a marca Guardian como o suprassumo da imprensa-empresa democrática e pluralista.

Mas nunca, desde o início, o blog Comment is Free (CiF) foi tão livre quanto se dizia – senão no sentido de que a empresa Guardian sempre se sentiu livre para não pagar salário aos “colaboradores” que trabalham no blog. Inúmeros autores da esquerda, sobretudo os considerados “fora do esquema” [orig. “beyond the pale”] no contexto da velha imprensa-empresa, continuaram, como antes, sem acesso à tal nova plataforma “democrática”. Outros, dentre os quais eu mesmo, logo descobrimos que havia limites aparentemente inexplicáveis, mas sempre intransponíveis, para o que se podia escrever no blog CiF (e limites que nada tinham a ver com moral ou bons costumes).

Nada disso deveria ser questão importante. Afinal, há muitos outros lugares onde publicar, além do Blog CiF do Guardian, para fazer-se ouvir. Por toda a rede há dissidentes distribuindo análises alternativas dos eventos atuais e chamando a atenção para a informação que a imprensa-empresa não publica ou publica como notícia sem importância.

Mas, em vez de acolher esse tipo de concorrência, ou de resignar-se ao surgimento de imprensa realmente pluralista, o Guardian reverteu à imagem-tipo de antes. Voltou a autoapresentar-se como “a política de pensamento” da esquerda.

De novidade que, dessa vez, nada garante que algum jornal-empresa consiga silenciar completamente a “esquerda que contesta”. A internet acabou com a fácil solução de antes, quando os jornais-empresas silenciavam, por exclusão absoluta, as vozes de contestação. Pelo que se vê hoje, o Guardian adotou a tática de desqualificar os autores que, por serem realmente provocadores ou por suas ideias realmente avançadas, possam fazer-ver a covarde política conformista, enquadrada, do Guardian.

E o Guardian passou a desacreditar “a esquerda” – que nenhum dos jornalistas e colunistas do jornal jamais define – em campanha que nada tem a ver com algum tipo democrático de luta de ideias. E, sempre, o Guardian encontra amparo nos imensos recursos das empresas e corporações proprietárias do jornal. Quando ataca autores e pensadores dissidentes, os atacados só muito raramente, e na maioria das vezes nunca, encontram plataforma “com igual espaço e destaque” para defenderem-se. E já se viu que o Guardian é sempre muito relutante, e resiste o mais que consiga, a garantir justo direito de resposta a quem o jornal-empresa calunia.

Além do quê, e quase imperceptivelmente, o Guardian praticamente nunca encampa as ideias desses autores ou jornalistas “não alinhados”. Em termos populares, o Guardian marca a canela do jogador, não marca a bola. Cria e distribui calúnias, que vão das apenas absurdas às claramente difamatórias, que empurram aqueles autores ou jornalistas ou pensadores para o território do absurdo, do não razoável, ou do sórdido inadmissível.

Exemplo típico da nova estratégia do Guardian viu-se essa semana, em artigo impresso nas páginas de editoriais e colunistas do próprio jornal – disponíveis também online, e espaço muitíssimo mais prestigioso que o Blog Comment is Free – que o jornal encomendou a autor socialista, Andy Newman [1], com instruções expressas para que dissesse que o músico judeu israelense Gilad Atzmon [2] seria antissemita, de uma tendência de antissemitismo discernível na esquerda.

Jonathan Freedland, colunista empregado “star” do Guardian e obcecado na perseguição a antissemitas, tuitou para seus seguidores que o artigo de Newman seria “importante”, porque “conclama a esquerda a começar a atacar o antissemitismo também em suas fileiras.” [3]

Não tenho notícia de Atzmon ter algum dia manifestado ideias antissemitas – nem antes nem depois de ler o artigo de Newman.

Como já se tornou rotina nessa nova modalidade de assassinato de reputação pelo Guardian, o artigo não faz qualquer esforço para provar que Atzmon seria antissemita ou para mostrar que haveria qualquer motivo para pôr em evidência essa sua pressuposta falha de caráter. (Diga-se, de passagem, que no artigo de Newman há idêntica acusação de antissemitismo contra Alison Weir, do blog “If Americans Knew” e também contra nossa página [Counterpunch] na internet, por termos publicado artigo assinado por Weir, sobre o papel de Israel no tráfico de órgãos [4]).

Atzmon acaba de publicar um livro sobre a identidade judaica, The Wandering Who? [“Errante”,
quem?], já elogiado por figuras respeitadas como Richard Falk, professor emérito da escola de Direito em Princeton, e por John Mearsheimer, conhecido professor de política da Chicago University.

Mas Newman não critica o livro nem extrai dele qualquer citação. De fato, tudo sugere que sequer tenha lido o livro de Atzmon ou tenha qualquer ideia do que contém.

Newman abre o artigo com elogios ao talento e à mestria musicais de Atzmon, com uma referência muito vaga a escritos seus, pressupostos “antissemitas”. Em seguida, algumas longas frases extraídas de escritos de Atzmon, suficientemente longas para sugerir alguma suspeita (não se sabe exatamente do quê); e curtas demais e por demais afastadas de qualquer contexto para provar qualquer coisa, inclusive um pressuposto antissemitismo – mas prova suficiente, talvez, para atender à política de pensamento do Guardian e de seus leitores menos críticos e mais subservientes. Nada, na coluna publicada, comprova que Atzmon algum dia tenha sido antissemita: o jornal assume que ele é antissemita, o colunista escreve que ele é antissemita, ninguém comprova ou demonstra coisa alguma. E assassina-se mais uma reputação. (…)

Apesar disso, o Guardian garante seu imprimatur à difamação assinada por Newman, contra Atzmon (apresentado ali como “teórico da conspiração, pingando de desprezo por judeus”), não oferece qualquer prova de coisa alguma e tudo fica por isso mesmo. Jornalismo digno do Pravda, nos dias de glória de Stálin! (…)

O Guardian, como várias outras grandes corporações de imprensa-empresa, recebe fortes investimentos – em termos financeiros e também em termos ideológicos – para dar irrestrito apoio à atual ordem mundial. Em tempos de jornais impressos, o Guardian tinha meios para excluir e silenciar – e hoje, em tempos de internet –, dedica-se a demonizar as vozes da esquerda que se arriscam a questionar um sistema de poder e controle por grandes empresas, poder e controle dos quais o Guardian é uma das peças chave.

Quem leia o Guardian é rapidamente levado a crer que uma meia dúzia de dissidentes dispersos e os intelectuais de esquerda seriam dos principais problemas que nossa sociedade enfrenta – problema comparável, em magnitude, à ação de nossas elites moralmente comprometidas, autoridades policiais corrompidas e sistema financeiro depravado.

Atzmon e algum seu pressuposto antissemitismo seria talvez problema mais grave que a ação do AIPAC (America-Israel Public Affairs Comittee)? (…) Assange e WikiLeaks seriam mais grave ameaça ao futuro do planeta que o presidente Barack Obama dos EUA? Leitores do Guardian são diariamente induzidos a crer que sim.

Notas dos tradutores
[1] 25/9/2011, Andy Newman, “Gilad Atzmon, antisemitism and the left” [Gilad Atzmon, antissemitismo e a esquerda], (em inglês).
[2] Ver 19/9/2011, Gilad Atzmon, 19/9/2011, “Obama, o estado palestino e a esquizofrenia sionista”, em português; e Gilad Atzmon, 23/9/2011 “Tragédia Americana”, em português.
[3] @j_freedland Jonathan Freedland – Important Guardian piece on Gilad Atzmon, urging the left to confront antisemitism in its ranks (25/9/2011, via Twitter for BlackBerry®, Tweeter).
[4]
Allison Weir, “Israeli Organ Harvesting”, Counterpunch, ed. fim de semana, 29-30/8/2009, (em inglês).

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/09/uma-politica-de-pensamento-para-era-da.html

http://goo.gl/5dwV /twitter

29/09/2011

Exclusivo: Beto Richa pretende privatizar saúde, informática e demais áreas sociais via OSs

Do Blog do Tarso

O instituto jurídico da Organização Social – OS é um modelo de privatização criado no Governo FHC (PSDB), pelo então Ministro Bresser Pereira, nos termos da Lei 9.637/98, para privatizar as escolas e hospitais públicos, assim como as demais atividades sociais, para entidades privadas sem fins lucrativos, do Terceiro Setor.

O então Prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi (atual Secretário de Planejamento de Beto Richa) criou o modelo em Curitiba e privatizou a informática da cidade para o ICI – Instituto Curitiba de Informática.

Como prefeitos, Beto Richa (PSDB) e Luciano Ducci (PSB) mantiveram essa privatização com claro intuito de fuga do regime jurídico administrativo.

Após negar na campanha de 2010 que iria privatizar e dizer que nem conhecia o modelo de privatização via Organizações Sociais – OS (conforme o vídeo acima), o atual governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e sua equipe, estão formulando o Anteprojeto de Lei das Organizações Sociais (OS) do Paraná, que já até passou pela análise da Procuradoria-Geral do Estado, conforme informação exclusiva do Blog do Tarso.

Com isso poderá privatizar a saúde, educação, informática, assistência social e demais atividades sociais para ONGs, entidades privadas que não fazem licitação nem concurso público e não são fiscalizadas pela população ou pelo Tribunal de Contas.

Bem num período que o STF pode julgar inconstitucional o modelo privatizador das OSs. Sobre o tema, inúmeros posts do Blog do Tarso ou no meu livro Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010)

Será que o povo paranaense irá permitir?

Tarso Cabral Violin

29/09/2011

Estímulo ao denuncismo e a sociedade de controle…*

Um pouco de policial em cada indivíduo é a regra perversa que paulatinamente mutila a mesma liberdade que promete assegurar

Por Marcelo Semer

Depois da polícia, chegou a vez da imprensa.

Com alarde, a Folha de S. Paulo lançou o seu “disque-denúncia”.

O serviço, sugestivamente chamado de Folhaleaks, propõe estimular seus leitores a encaminhar de forma anônima denúncias que permitam produzir novas reportagens.

Com uma semana de atividade, o jornal comemorou mais de setecentas mensagens sobre nepotismo, fraudes em licitações e favorecimentos a políticos.

Estará aí, na crua expansão do denuncismo anônimo, um futuro seguro para a nossa democracia?

Desde que em seu “1984”, George Orwell desenhou a onipotência do Estado pelas lentes de um Big Brother que a tudo e a todos vigia, a ameaça de uma sociedade de controle vem rapidamente se alastrando sobre nós.

O extraordinário avanço tecnológico e a constante disseminação do medo como combustível da vigilância, tornaram o pesadelo de Orwell cada vez mais palpável.

E o que temos feito para combatê-lo?

Reproduzimos as câmaras de segurança em nossos espaços privados, das escolas aos elevadores, entregamos a intimidade a empresas que nos prometem amigos virtuais e nos deliciamos com o voyeurismo que a simulação do controle nos proporciona em momentos de lazer.

A câmara caricata do patrão sobre o Carlitos operário em “Tempos Modernos” se agrega hoje a outros instrumentos de controle no trabalho, como o monitoramento de computadores e revistas de funcionários após o expediente.

Aderimos e legitimamos a contínua vigilância.

Em nome da segurança, a privacidade foi se tornando um conceito em extinção, lembrado com reverência apenas quando um réu abonado é objeto da justiça penal.

Mas em uma sociedade de controle que se preze, e este é o ponto que nos interessa, a vigilância só se consolida quando é repartida por todos os seus membros.

Um pouco de policial em cada indivíduo é a regra perversa que paulatinamente mutila a mesma liberdade que promete assegurar.

No televisivo Linha Direta, da rede Globo, os espectadores eram estimulados a procurar criminosos foragidos. No Folhaleaks, a fornecer dados para a investigação. É o cidadão cumprindo seu dever de vigilante da lei e da ordem, enquanto a imprensa faz papel de polícia e muitas vezes de juiz também.

Ninguém duvida da importância de colocar limites à malversação de bens públicos, punir corruptos e corruptores e estabelecer regras que dificultem a apropriação privada de bens do Estado.

Mas a espetacularização do controle, com propósitos políticos ou comerciais, no entanto, é a ação que menos efeitos duradouros produz. Esgarça-se antes do próximo escândalo e se alimenta do sensacionalismo que retrata.

Da mesma forma como a imprensa vem desempenhando funções de investigação, a polícia tem na mídia um complemento indispensável de seus trabalhos.

Quase não se veem operações de vulto em que prisões não sejam fortemente alardeadas ou interceptações telefônicas que não cheguem diretamente aos telejornais. As punições muitas vezes se esgotam na simples exposição dos suspeitos.

Mesmo quando se pretende proteger o interesse público, é preciso muita atenção ao casamento do denuncismo com a política do espetáculo. O resultado pode ser devastador.

Que o diga Philip Roth, que pela boca do narrador de seu “Casei com um Comunista”, destrinchou a lógica do macarthismo dos anos 50 e 60 nos EUA.

Em meio a comissões parlamentares de inquérito transmitidas pela TV, e listas-negras produzidas por denúncias e delações, estabeleceu-se uma política de caça às bruxas sob o pretexto de reagir duramente aos inimigos do Estado:

“A virtude dos julgamentos-espetáculo da cruzada patriótica era simplesmente a forma teatralizada. Ter câmaras voltadas para aquilo apenas lhe conferia a falsa autenticidade da vida real. McCarthy compreendeu o valor de entretenimento da desgraça e aprendeu como alimentar as delícias da paranoia.”

É certo que o cidadão deve ter meios de se defender dos abusos do Estado e instrumentos para limitar o poder das autoridades.

Mas assumir ele mesmo a função de polícia, a título de denunciá-lo, só pavimenta o caminho para uma sociedade de controle na qual suas próprias liberdades terminam em risco.

* Dica do EduGuim

Fonte: Blog Sem Juízo

29/09/2011

Por que o Pará cantou o Hino Nacional Brasileiro?

Artigo sugerido por Cido Araújo, do BlogProgSP

Por Walter Falceta

Antes da partida contra a Argentina (Super Clássico das Américas), nesta quarta-feira, a torcida paraense deu show de civilidade no lotado Estádio Mangueirão.

Cessou a amostra instrumental do Hino Nacional, mas o povo resolveu seguir até o fim da primeira parte da composição, à capela.

As imagens de TV mostram o povo feliz com a saudável molecagem, orgulhoso, muitos com as mãos sobre o peito.

São crianças, jovens, idosos, gente negra, branca, índios, representantes da comunidade nipônica e, certamente, a linda mistura de tudo isso.

O craque Neymar, ele próprio tão espetacularmente miscigenado, comove-se com a cantoria, marcada na percussão das palmas sincronizadas. Comoção bem comovida.

Talvez, mais do que a festa, seja conveniente tomar esse espetáculo como lição para o Sul-Sudeste, onde o Hino é frequentemente ultrajado pelos torcedores, especialmente pelos filhos das elites, sempre envergonhados de sua nacionalidade.

Cabe também uma reflexão sobre o ódio que determinados brasileiros têm do próprio país, expresso diariamente nos comentários neofascistas dos grandes jornais dessas regiões.

Esse comportamento, aliás, é resultado da campanha diária, massiva, que os mesmos veículos fazem para desmoralizar o país e seu povo.

O jornalismo de “pinça” só destaca o que é ruim, o que é nefasto, o que não presta. Obsessivamente.

O processo de extinção da miséria parece não existir, tampouco a expansão do consumo popular.

E cada agulha sumida numa repartição pública torna-se um escândalo.

Pior: a indignação é seletiva, pois o graúdo que desvanece nas administrações estaduais neoliberais nunca vira manchete.

Se há notícia boa do Brasil, ela é minimizada. Se o positivo é notório, emprega-se logo uma adversativa, um “mas”, para reduzir ou neutralizar o impacto da mensagem.

São espantosos os malabarismos aritméticos, os artifícios de linguagem e os sofismas utilizados para transformar em ruim o que é bom.

São gráficos lidos de trás para frente ou pizzas que têm apenas uma ou outra fatia destacada.

Disseminar a síndrome de vira-lata, obviamente, tem um objetivo claro.

É recalcar os tradicionais estratos médios, é causar rancor, é produzir a intriga, é gerar dissensão, é fomentar o ciúme, é espalhar o ódio entre irmãos.

Afinal, para os obsoletos da elite midiota, é preciso difundir todos os dias a ideia do caos, mesmo que imaginário.

Para quem perdeu, faz-se urgente uma insurreição para acabar com a festa do crescimento econômico extensivo, da inclusão social e da democratização de acessos.

Enquanto eles não passam, vale a pena ficar com o Pará, com os brasileiros do Pará. Viva o Pará!

28/09/2011

Ato reúne centenas na Câmara para pedir o afastamento de Derosso

Centenas de pessoas participaram de uma manifestação na manhã desta quarta-feira, 28, em Curitiba, para pedir o afastamento do presidente da Câmara de Vereadores, João Cláudio Derosso (PSDB), envolvido em denúncias de irregularidades. De acordo com a Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR) – uma das organizadoras do ato -, cerca de 800 pessoas fizeram parte do protesto.

O protesto contou com a participação de estudantes, sindicatos, CUT, dos partidos políticos de oposição e da população em geral. Faixas e cartazes com frases com inscrições de “Fora Derosso” foram levados para o ato. Alguns estudantes pintaram o rosto de verde e amarelo.

Leia a matéria na íntegra:

Fonte: Ato reúne centenas na Câmara para pedir o afastamento de Derosso – Rede de Participação Política – Sistema FIEP.

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